A Polícia Civil do Espírito Santo deflagrou, nesta quinta-feira (5), a segunda fase da Operação Efeito Colateral, focada em desarticular um esquema de venda clandestina de medicamentos. Durante as buscas, agentes encontraram canetas emagrecedoras armazenadas de forma irregular, inclusive dentro de gavetas de geladeiras, misturadas a alimentos como alho e cebola.
Irregularidades sanitárias graves
A ação cumpriu oito mandados de busca em Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica, resultando na condução de três pessoas para prestar esclarecimentos. Segundo o delegado Leonardo Ávila, chefe da Divisão Especializada da Região Metropolitana (DIV-DRM), a falta de zelo com os itens coloca a população em perigo.
“Esse material está sendo armazenado de qualquer maneira, sem qualquer critério sanitário. Encontramos material fora da geladeira; alguns estavam dentro da geladeira, numa gaveta junto com alho, cebola, alimentos em geral”, explicou.
O delegado reforçou que os produtos, utilizados sem acompanhamento médico, representam um perigo iminente. “O armazenamento desse material e a forma com que esse material chega ao Brasil expõem a população a um risco sanitário muito grande. As pessoas estão tomando, estão injetando esse material no próprio corpo sem um acompanhamento médico, não se conhece a origem, não se conhece a forma do armazenamento e isso certamente vai causar sérios danos à população.”
Produtos sem procedência e análise técnica
De acordo com o delegado Eduardo Passamani, titular da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), parte das substâncias apreendidas sequer possui autorização de comercialização por agências sanitárias internacionais. Os itens que possuem registro em outros países entraram no território brasileiro de forma ilegal, sem passar pelo crivo da Anvisa.
“A gente tem que fazer análise ainda no laboratório da Polícia Científica. Mas, como foi falado aqui, todos os produtos são de procedência duvidosa. Alguns não têm nenhuma regulamentação ainda. Todos são sem autorização de funcionamento na Anvisa e todos armazenados de forma incorreta”, disse Passamani.
O perito criminal Onésio Barbosa, do Departamento de Perícias Externas (Depex) da Polícia Científica, destacou a gravidade de manter esses insumos fora das temperaturas adequadas. “Alguns produtos estavam dentro de uma bolsa na sala de estar da residência. Sabemos que esse tipo de produto tem que ser resfriado. Então, fora a questão da procedência duvidosa, tem a questão da armazenagem do medicamento que está de forma incorreta.”
Venda por rifas e alerta legal
As investigações revelaram que os suspeitos utilizavam redes sociais e grupos de mensagens, inclusive de condomínios, para oferecer os medicamentos. Em um dos casos, um investigado recorria a rifas para comercializar as canetas.
Embora a compra para uso pessoal não seja considerada crime, o delegado Eduardo Passamani alertou para os riscos envolvidos na automedicação com produtos duvidosos. “A compra para uso próprio, a pessoa que só usa, não é crime. É um crime que ela faz contra ela mesma, porque, a partir do momento que você compra um produto sem procedência, o que tem lá dentro ela não sabe.”
A situação muda drasticamente para quem revende: a comercialização, mesmo que esporádica, configura crime. Esta operação é um desdobramento da primeira fase, realizada em maio, quando a polícia identificou o que seria um dos maiores distribuidores de canetas emagrecedoras do estado, que na época alegava possuir equipes em farmácias para realizar as aplicações dos produtos.
Fonte: Folha Vitória