O economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, alertou que o risco de uma recessão em 2027 aumenta consideravelmente se o governo não implementar cortes de gastos e reformas fiscais. Segundo ele, um ajuste fiscal adequado poderia resultar na redução das taxas de juros, favorecendo um crescimento mais robusto do Produto Interno Bruto (PIB).
Schwartsman, que ocupou sua posição no BC entre 2003 e 2006 durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fez uma análise crítica do atual cenário econômico. Ele ressaltou que, sem medidas efetivas, o Brasil pode enfrentar uma situação semelhante àquela vivida no segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, quando o PIB caiu 3,5% em 2015, levando a um processo de impeachment no ano seguinte.
O economista destacou que a lista de reformas necessárias inclui mudanças nas regras de aumento real do salário mínimo, a unificação de programas sociais e uma nova reforma da previdência que busque a redução de gastos. Essas ações, segundo ele, são fundamentais para evitar uma possível paralisia econômica.
A crítica ao discurso sobre superávit primário
Schwartsman criticou as declarações de Lula, que em setembro de 2026 desqualificou a busca por superávit primário como “uma babaquice”. Durante o primeiro mandato de Lula, houve um aumento significativo do superávit primário, além da aprovação de uma reforma da previdência. Contudo, o ex-diretor do BC acredita que, a partir de 2027, não haverá um esforço real para alcançar um superávit primário ou implementar reformas significativas.
Ele expressou sua frustração ao afirmar que, apesar de todos saberem o que precisa ser feito, a expectativa é de que nada aconteça. Schwartsman argumentou que a situação atual é diferente da de 2003, quando Lula tinha mais liberdade para implementar reformas. O histórico de ações que dependem de aumento de gastos atualmente dificulta a aceitação de novas medidas entre os apoiadores do presidente.
Fonte: poder360.com.br