Pequim lidera corrida de patentes em minerais essenciais e redesenha mercado global

Pequim lidera corrida de patentes em minerais essenciais e redesenha mercado global

A China tem se destacado no cenário global ao avançar significativamente no registro de patentes relacionadas a minerais críticos. De acordo com o pesquisador australiano Robert Perrons, da Queensland University of Technology, a inovação e a tecnologia tornaram-se fundamentais na geopolítica dos minérios. Durante sua visita ao Brasil em outubro, Perrons participou de um seminário promovido pela FGV-SP, onde discutiu a estratégia chinesa que agora se concentra na tecnologia e na propriedade intelectual.

O especialista apontou que a China passou de uma posição periférica para se tornar líder em volume de registros tecnológicos, com quase um milhão de patentes no setor mineral entre 2000 e 2019, conforme dados da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO).

Esse domínio é respaldado pela posse de ativos importantes, como a maior reserva mundial de terras raras, além de controle sobre a extração de cobalto na República Democrática do Congo e de níquel na Indonésia. A Austrália e o Chile também se destacam na produção de lítio, mas a China tem se posicionado estrategicamente na cadeia de valor mineral.

Controle da extração e processamento mineral

Perrons destacou que a China assumiu o controle do processamento mineral após as nações ocidentais se afastarem das etapas de refino, consideradas poluentes. Essa mudança permitiu que a China antecipasse o valor estratégico do setor. O registro de patentes é visto como uma evolução natural nessa trajetória.

Transformação tecnológica na mineração

A tecnologia tem redefinido a mineração nas últimas décadas, com uma transição de inovações focadas em equipamentos para a integração de tecnologias como inteligência artificial, internet das coisas (IoT) e Big Data. Perrons enfatizou que essa evolução transformou a mineração em uma disciplina científica complexa, onde o conhecimento técnico é tão valioso quanto os ativos físicos.

Ele comparou a dinâmica atual do setor mineral à enfrentada pela indústria de petróleo e gás no Golfo do México entre 1978 e 2003, quando a exploração foi forçada a migrar para águas mais profundas e complexas. Para isso, a mineração requer um investimento significativo em engenharia e ciência.

Desafios socioambientais e formação de mão de obra

Além disso, a tecnologia moderna deve atender a exigências socioambientais rigorosas. A sociedade e os investidores demandam que a extração de minerais estratégicos ocorra de forma sustentável, o que apresenta novos desafios técnicos. Perrons observou que, mesmo com tecnologia avançada, a escassez de profissionais qualificados é um dos principais obstáculos enfrentados pelo setor na Austrália.

Cooperação internacional entre Brasil e Austrália

O especialista sugeriu que Brasil e Austrália compartilham estratégias estruturadas para minerais críticos, mas enfrentam o mesmo desafio na formação de mão de obra especializada. Ele propôs a construção de uma agenda conjunta de pesquisa e capacitação entre universidades e indústrias dos dois países como uma forma de impulsionar o avanço tecnológico na mineração.

O Radar Mineração é uma plataforma de conteúdo patrocinada pela Vale e dedicada a ampliar o debate sobre o papel do setor na transição energética e no futuro da sociedade

Fonte: infomoney.com.br

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