A Agência Nacional do Cinema (Ancine) concedeu o Registro de Obra Estrangeira (ROE) ao filme “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro (PL). O ROE é um documento essencial para a obtenção do Certificado de Registro de Título (CRT), que é necessário para a exibição e comercialização da obra.
De acordo com a lista de registros de Obras Não Publicitárias, o ROE foi emitido em 7 de agosto.
Após a concessão do ROE, o detentor dos direitos do filme deve solicitar o CRT para o segmento desejado, que pode incluir salas de exibição, TV aberta ou TV paga.
Reprodução/Ancine – 25.ago.2026
Consulta no site da Ancine mostra o Registro de Obra Estrangeira obtido pelo filme “Dark Horse”
Para que o filme seja lançado nos cinemas, é necessária a classificação indicativa do Ministério da Justiça. Após o cumprimento das exigências regulatórias, o filme pode seguir para as demais etapas comerciais.
“Dark Horse”, que também é conhecido como “O Azarão”, é uma obra de ficção dirigida por Cyrus Nowrasteh e possui duração de 1h40min.
Controvérsias envolvendo ‘Dark Horse’ e o Banco Master
A cinebiografia gerou polêmica após o jornal Intercept Brasil revelar diálogos entre Flávio Bolsonaro (PL) e Daniel Vorcaro, do Banco Master. Os documentos indicam um acordo de aproximadamente R$ 134 milhões para financiar o filme.
Inicialmente, Flávio negou o financiamento, mas posteriormente confirmou que captou R$ 61 milhões de Vorcaro.
Documentos também revelaram que, entre fevereiro e maio de 2025, cerca de R$ 55 milhões foram transferidos para o Havengate Development Fund LP, nos EUA, vinculado a Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro (PL).
A Polícia Federal investiga se parte dos recursos foi utilizada para cobrir despesas de Eduardo durante sua estadia nos EUA. Eduardo nega ter recebido dinheiro de Vorcaro através do fundo. Flávio afirma que os recursos foram usados “integralmente” no filme.
Investigação e processo administrativo
No dia 18 de agosto, a PF solicitou à Ancine informações sobre “Dark Horse”. A agência tem até 28 de agosto para fornecer os dados solicitados pelos investigadores.
A solicitação faz parte de uma investigação em andamento no Supremo Tribunal Federal, sob a relatoria do ministro André Mendonça.
Além disso, a Ancine abriu um processo administrativo contra a Go Up Entertainment, produtora do filme, por irregularidades durante as filmagens no Brasil.
A Go Up Entertainment, de propriedade de Karina Ferreira da Gama, é acusada de não ter comunicado previamente a realização das filmagens, o que contraria a legislação que estabelece regras específicas para produções estrangeiras no Brasil.
A autuação pode resultar em multas que variam de R$ 2.000 a R$ 100 mil para a produtora.
Fonte: poder360.com.br