O modelo de negócios que previa listar empresas em bolsa para acumular criptomoedas enfrenta uma crise profunda. As companhias que ainda buscam essa alternativa por meio de empresas de cheque em branco estão sob crescente pressão de investidores em um ambiente de mercado cada vez mais adverso.
Desmoronamento do acordo ReserveOne
Um dos casos mais emblemáticos é o da ReserveOne, gestora de ativos em criptomoedas com sócios influentes, incluindo o ex-secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross. A empresa havia firmado um acordo para se fundir com a M3-Brigade Acquisition V Corp., uma SPAC cujo objetivo é adquirir uma empresa e levá-la à bolsa. No entanto, o acordo, avaliado em US$ 1 bilhão, desmoronou após a pressão de investidores que temiam que as ações da ReserveOne fossem negociadas com desconto em relação ao valor patrimonial líquido.
O impacto da queda do Bitcoin
A queda acentuada do Bitcoin e de outros tokens desde o anúncio da fusão, quase um ano antes, contribuiu para o fracasso do acordo. Em 12 de junho, as duas empresas anunciaram oficialmente o encerramento da transação. A ReserveOne não respondeu aos pedidos de entrevista, enquanto um porta-voz da M3 se recusou a comentar.
Problemas enfrentados pelas empresas de tesouraria
O fracasso da transação ReserveOne-M3 é sintomático dos desafios enfrentados pelas empresas de tesouraria em ativos digitais que tentam chegar ao mercado via SPAC. Outras empresas com planos semelhantes também falharam ou apresentaram desempenho insatisfatório desde suas estreias. A Avalanche Treasury, por exemplo, viu suas ações recuarem quase 90% após a fusão com a SPAC Mountain Lake Acquisition.
O futuro das tesourarias de cripto
O modelo das tesourarias de cripto deixou de ser viável quando captar recursos via emissão de ações para comprar criptomoedas se tornou diluidor para as companhias. Jan-Philip Grabs, sócio da consultoria de ativos digitais Areta, afirma que o mercado em baixa funcionará como um filtro decisivo para a categoria, separando empresas com operações reais das que não possuem um modelo operacional sólido.
A queda do Bitcoin e suas consequências
Michael Saylor, pioneiro do modelo em 2020, transformou sua empresa, a MicroStrategy, em uma máquina de acumulação de Bitcoin. No entanto, as ações da empresa caíram para US$ 112,53, e o Bitcoin acumula queda de cerca de 50% desde seu pico em outubro. A BSTR Holdings, uma SPAC ligada à Cantor Fitzgerald, também enfrenta incertezas sobre sua fusão, agendada para votação em 26 de junho.
O cenário atual revela que apenas empresas com operações reais no setor de ativos digitais conseguirão sobreviver a longo prazo. As tesourarias de cripto que tentam apenas replicar o modelo de Saylor terão dificuldades em um mercado em baixa.
Fonte: infomoney.com.br