A performance dessas empresas é um termômetro importante para o mercado de capitais, influenciando diretamente o comportamento de suas ações. No dia da divulgação, as ações de Cyrela, Mitre e Even registraram variações positivas, indicando uma recepção cautelosa, mas otimista, por parte dos investidores, que buscam entender as tendências e estratégias adotadas pelas companhias diante do cenário econômico.
A Cyrela apresentou vendas líquidas que totalizaram R$ 2,21 bilhões, um valor ligeiramente abaixo das estimativas do JPMorgan, e lançamentos que ficaram 23% aquém do esperado. A velocidade de vendas (VSO) agregada foi de 16,0%, representando uma queda tanto na comparação anual quanto trimestral, atingindo o menor patamar desde o primeiro trimestre de 2023.
Apesar desses números, analistas destacam pontos positivos. O JPMorgan, que mantém recomendação neutra para a ação, observou uma oferta de estoque de aproximadamente 14,5 meses, uma leve redução em relação ao trimestre anterior. As vendas de unidades prontas também mostraram aceleração, um sinal de boa gestão.
O Bradesco BBI, com recomendação de compra, elogiou a consistência dos resultados operacionais da Cyrela, mesmo em um trimestre sazonalmente mais fraco. O banco viu com bons olhos a redução de estoques, impulsionada por um aumento significativo nas vendas de unidades em construção. A maior relevância do segmento de baixa renda, que deve responder por uma parcela considerável do lucro líquido em 2026, é vista como um fator de resiliência.
O BTG Pactual e o Goldman Sachs também mantiveram suas recomendações de compra, ressaltando o valuation atrativo da companhia e a estratégia de aumentar a exposição ao segmento de baixa renda. O Goldman Sachs, em particular, observou que as vendas de alta renda superaram os lançamentos em 30%, abordando uma preocupação central dos investidores sobre o estoque desse segmento. Para mais detalhes sobre os lançamentos da construtora, clique aqui.
A Even registrou um desempenho considerado fraco no primeiro trimestre, principalmente devido à ausência de novos lançamentos e à desaceleração da velocidade de vendas (VSO). O Bradesco BBI, que mantém recomendação neutra, apontou a falta de gatilhos de curto prazo e um ambiente mais desafiador para o segmento de média e alta renda como fatores limitantes.
Apesar de a Even possuir um cronograma relevante de projetos para 2026, o banco vê a ação negociando a um valor patrimonial que reflete o equilíbrio entre o potencial de médio prazo e as limitações atuais. O BTG Pactual corroborou essa visão, destacando o impacto da sazonalidade e do ambiente macroeconômico mais fraco para o segmento de atuação da empresa. A estratégia de focar em projetos maiores e diferenciados foi mantida, mas os resultados operacionais foram considerados aquém do esperado.
A Mitre apresentou um desempenho operacional positivo no primeiro trimestre de 2026, impulsionado por vendas líquidas resilientes e pelo sucesso de um lançamento relevante no segmento de alta renda. O Bradesco BBI considerou o resultado favorável, apesar do aumento do estoque em função do novo lançamento, destacando que o nível de unidades prontas permanece baixo.
Contudo, o banco reiterou a recomendação neutra para a Mitre, citando a escassez de gatilhos de curto prazo e um ambiente desafiador à frente. O BTG Pactual também manteve a recomendação neutra, observando que o desempenho da construtora foi impactado pela menor venda de estoque, mesmo com o bom resultado do lançamento. A velocidade de vendas permaneceu abaixo do esperado, e o cenário para o segmento de média e alta renda continua a pressionar as vendas e o retorno.
Fonte: infomoney.com.br
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