O cooperativismo tem se mostrado uma ferramenta poderosa de inclusão e desenvolvimento social em diversas comunidades brasileiras. No Norte do Espírito Santo, especificamente na comunidade quilombola de Córrego de São Domingos, essa prática tem gerado transformações significativas na vida dos moradores.
A origem da palavra “quilombo”, que remete a acampamentos de resistência, é um símbolo da luta pela liberdade e dignidade. No Brasil, essas comunidades surgiram durante o período colonial, quando pessoas escravizadas fugiam em busca de um lugar seguro. No Espírito Santo, a resistência negra se consolidou, especialmente no Norte do estado, onde se encontram várias comunidades quilombolas.
Cooperativa dos Trabalhadores Rurais e Agricultores da Comunidade Quilombola do Córrego de São Domingos
Fundada em 2014, a Cooperativa dos Trabalhadores Rurais e Agricultores da Comunidade Quilombola do Córrego de São Domingos (CTRA) é a primeira cooperativa quilombola de prestação de serviços florestais do Brasil. Em um contexto marcado por desigualdades, a CTRA se tornou um símbolo de empoderamento e desenvolvimento econômico.
Valdete Jeronimo, presidente da cooperativa, relembra como a ideia surgiu: “Antigamente, sobrevivíamos fazendo serviços de colheita de madeira. Um primo teve a ideia de criar uma empresa para disputar contratos, mas um consultor sugeriu que formássemos uma cooperativa”. Essa mudança de perspectiva foi crucial para a formalização do trabalho e a melhoria das condições de vida na comunidade.
Impacto social e econômico da cooperativa
A CTRA não apenas gera renda, mas também fortalece os laços comunitários. Atualmente, a cooperativa emprega 31 colaboradores e impacta diretamente a vida de mais de 60 famílias. Jeronimo destaca que a cooperativa ajudou a resgatar jovens da ociosidade, oferecendo trabalho digno e com benefícios.
Além disso, a cooperativa promove a união entre os moradores, contribuindo para eventos comunitários e ajudando uns aos outros em momentos de necessidade. “Antes, nossa comunidade era bem parada; agora, todos se ajudam”, afirma Jeronimo.
O papel do cooperativismo no desenvolvimento local
O cooperativismo no Espírito Santo é um movimento crescente, com mais de 100 cooperativas e mais de um milhão de cooperados. Carlos André Santos de Oliveira, diretor-executivo do Sistema OCB/ES, enfatiza que o cooperativismo é um motor de desenvolvimento local, promovendo inclusão e justiça social.
“O principal diferencial do cooperativismo é impulsionar o desenvolvimento social e econômico das localidades onde está presente”, afirma Oliveira, destacando a importância de iniciativas como a da CTRA para o fortalecimento da comunidade quilombola.
Desafios e perspectivas futuras
Apesar dos avanços, a comunidade ainda enfrenta desafios, como a necessidade de maior reconhecimento e apoio institucional. No entanto, a experiência da CTRA é um exemplo de como o cooperativismo pode transformar realidades, oferecendo uma alternativa viável para o desenvolvimento econômico e social.
À medida que o cooperativismo se expande, espera-se que mais comunidades quilombolas possam se beneficiar dessa prática, promovendo inclusão, igualdade e prosperidade.
Fonte: eshoje.com.br