Crescimento da construção civil no Brasil é impulsionado por infraestrutura, aponta CBIC

Crescimento da construção civil no Brasil é impulsionado por infraestrutura, aponta CBIC

A CBIC manteve sua projeção de crescimento de 1,2% para o setor em 2023, mesmo diante de um cenário de juros elevados, custos acima da inflação e deterioração da confiança empresarial. Segundo a entidade, o avanço em concessões, Parcerias Público-Privadas (PPPs) e investimentos em saneamento têm compensado as dificuldades enfrentadas pelos segmentos mais dependentes do crédito.

“O dinamismo das obras de infraestrutura e os lançamentos imobiliários realizados nos últimos dois anos, que ainda estão em execução, nos levaram a manter a projeção de crescimento”, afirmou a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, durante a apresentação.

Este cenário reflete uma mudança significativa na composição do crescimento do setor. Pela primeira vez desde o início da série histórica do Novo Caged, em 2020, as obras de infraestrutura superaram a construção de edifícios na geração de empregos durante o primeiro semestre.

Entre janeiro e junho, a infraestrutura criou 64.793 vagas com carteira assinada, um aumento de 30,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em contrapartida, a construção de edifícios gerou 60.552 vagas, com uma queda de 2,19%, enquanto os serviços especializados para construção registraram 43.617 vagas, uma redução de 7,14%. No total, a construção civil abriu 168.962 postos formais, refletindo um crescimento de 6,5%.

O desempenho é diretamente relacionado aos investimentos privados em projetos de saneamento e infraestrutura, que começaram a ser implementados após mudanças regulatórias e leilões realizados nos últimos anos. Dados da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB) indicam que 84% dos investimentos em infraestrutura têm origem no setor privado.

Setor cresce, mas confiança piora

Embora o mercado de trabalho permaneça resiliente, os indicadores de confiança e atividade apresentam um quadro mais cauteloso. O Índice de Confiança do Empresário da Construção encerrou o primeiro semestre com 47,2 pontos, o menor nível desde 2016. Resultados abaixo de 50 pontos indicam falta de confiança.

Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), destaca que a persistência da falta de confiança pode impactar decisões de investimento e contratações.

A média do indicador “Nível de Atividade” da Construção ficou em 46,4 pontos nos primeiros seis meses de 2023, o menor patamar registrado desde 2020, quando a pandemia afetou o setor.

Juros seguem no centro das preocupações

A política monetária continua a ser uma das principais preocupações. Desde que a taxa básica de juros passou a operar em dois dígitos, em 2022, ela figura entre os principais problemas apontados pelos empresários da construção. No segundo trimestre deste ano, voltou a ser a principal preocupação do setor.

Os juros elevados impactam tanto a demanda imobiliária quanto a capacidade de investimento das empresas, além de aumentar o endividamento das famílias, reduzindo o consumo de materiais de construção e limitando pequenas reformas residenciais.

A produção de insumos típicos da construção recuou 4,1% entre janeiro e maio na comparação anual, enquanto as vendas do varejo de materiais de construção caíram 1%.

Crédito imobiliário reage

Apesar do ambiente desafiador, o financiamento imobiliário apresentou recuperação no primeiro semestre. O volume financiado com recursos do FGTS e do SBPE totalizou R$ 160,3 bilhões entre janeiro e junho, um avanço de 17,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O SBPE, principal fonte de crédito para imóveis, teve um crescimento de 28,55% na comparação anual. Esse desempenho reflete mudanças regulatórias e o aumento do limite de financiamento dentro do Sistema Financeiro da Habitação (SFH).

No semestre, foram financiadas 563,4 mil unidades habitacionais, o melhor resultado para o período desde 2021.

Custos continuam pressionando

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumulou alta de 6,44% nos 12 meses encerrados em julho, em comparação à inflação de 4,44% medida pelo IPCA. O Custo Unitário Básico (CUB Brasil) subiu 7,06% em 12 meses até junho.

Materiais, equipamentos e mão de obra continuam a pressionar os orçamentos. Entre os insumos que mais encareceram, destaca-se o fio de cobre, cujo preço médio aumentou mais de 21%. Outros itens como cimento, esquadrias, vidro e concreto também registraram altas expressivas. A CBIC atribui parte dessa pressão ao aumento dos custos de energia, exacerbados por conflitos geopolíticos recentes.

Fonte: infomoney.com.br

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