O ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, teceu duras críticas ao ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), pela assinatura de um memorando com os Estados Unidos sobre terras-raras, evento ocorrido em março de 2026. Em entrevista ao Poder360, publicada no domingo (21.jun.2026), Delúbio questionou a legitimidade do acordo, afirmando que Caiado não possui autoridade para tal.
acordo: cenário e impactos
“Você acreditou nesse memorando, que era um memorando para valer? Isso é uma papagaiada do governador. Ele foi deputado federal várias vezes, foi senador, foi governador e ele sabe que, sobre o subsolo brasileiro, a Constituição diz que é de responsabilidade da União. Ele não tem condição nenhuma de assinar nenhum memorando e os americanos sabem disso,” declarou.
Goiás é o lar da única operação de mineração de terras-raras ativa no Brasil, localizada em Minaçu, onde a empresa Serra Verde realiza a extração. Em 20 de abril, a empresa americana USA Rare Earth anunciou a aquisição da mina por US$ 2,8 bilhões (aproximadamente R$ 14 bilhões na cotação da época).
Delúbio também caracterizou a assinatura do memorando como “um gesto de propaganda” relacionado à pré-candidatura de Caiado à Presidência. Ele afirmou que o documento “não vale nada” e “não tem o menor respaldo jurídico”. Segundo ele, “Estive lá na Serra Verde, na mina, e todo mundo sabe que aquilo foi um gesto de propaganda para facilitar a pré-candidatura do ex-governador Ronaldo Caiado à Presidência. Por parte da legislação brasileira, esse documento não vale nada, é um documento nulo.”
O Poder360 tentou contato com a assessoria de Ronaldo Caiado para obter uma resposta às declarações de Delúbio, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado assim que houver uma manifestação.
Delúbio Soares e seu retorno à política
Delúbio Soares busca reingressar na cena política após ter sido condenado no Mensalão e na operação Lava Jato, escândalos que envolveram subornos a congressistas e desvios de recursos públicos, respectivamente. Ambos os casos ocorreram durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT.
Delúbio, que já cumpriu pena, afirmou ser inocente e que pretende solicitar uma revisão criminal do Mensalão. “Deixei um documento com a minha neta para que, se eu morrer e não pedir, ela possa pedir revisão criminal do Mensalão,” revelou.
Fonte: poder360.com.br