O partido Democrata35, anteriormente conhecido como Partido da Mulher Brasileira, anunciou sua saída da coligação liderada por Lorenzo Pazolini (Republicanos) na disputa pelo Palácio Anchieta. Essa decisão ocorreu após o Republicanos revelar, em uma reunião, a escolha da vice na chapa, sem a participação do Democrata.
A vice escolhida foi a militar da reserva e pastora evangélica Bispa Eliane Leal (PL), indicada diretamente pelo senador Magno Malta, presidente do PL capixaba. A ausência do Democrata na reunião gerou indignação entre seus membros, especialmente no presidente estadual Tenório Merlo, que expressou sua insatisfação, afirmando que houve falta de “consideração e respeito” ao não serem consultados.
“Não fomos nem convidados para participar da reunião. Três partidos fazem parte da coligação, e aí o PL e o Republicanos decidem sem ouvir a gente? Nós estamos fora. Falta de consideração e respeito com a gente”, declarou Tenório Merlo.
Merlo aguardou um contato do Republicanos, esperando ser ouvido antes da decisão final, mas não obteve retorno. O Democrata havia sugerido três nomes para a vice de Pazolini: a advogada Elizete Fassarella, a líder comunitária Helida Regina Loreto e a contadora Graça Fortes.
À medida que se intensificava a possibilidade de o PL assumir a vice, Tenório já havia sinalizado que o Democrata reavaliaria sua permanência na coligação. Com a confirmação da escolha, a decisão de saída foi oficializada.
“Estamos tristes pelo desprestígio que sofremos. Deveríamos ter sido ouvidos. Se o governo é do PL, não nos compete avaliar”, lamentou Merlo, que convocou uma reunião com os militantes para discutir os próximos passos do partido.
Impacto na coligação e reações
O Democrata35 não é o primeiro partido a se afastar da coligação de Pazolini. O PSD também deixou o grupo, insatisfeito com as imposições do PL. A aliança entre Republicanos e PL trouxe exigências que descontentaram outros partidos, como o apoio a pautas bolsonaristas e a priorização de candidaturas específicas.
O PSD, que esperava lançar um candidato ao Senado, decidiu não coligar com ninguém após perceber que não teria espaço na chapa de Pazolini. Essa saída representa uma perda significativa para a coligação, que agora conta apenas com o PL e o Republicanos.
O futuro do Democrata
Com a saída da coligação, o Democrata deve decidir se apoiará outros candidatos, como Ricardo Ferraço ou Helder Salomão, ou se seguirá um caminho independente, liberando seus 27 candidatos a deputados estaduais. A reunião convocada por Tenório Merlo será crucial para definir a nova estratégia do partido.
A escolha da vice por Pazolini, que reforça sua aliança com a direita conservadora, pode ter consequências a longo prazo para a política capixaba, refletindo uma polarização semelhante à observada nos Estados Unidos entre Republicanos e Democratas.
Considerações finais
A decisão de Pazolini e do Republicanos de priorizar o PL pode ser vista como uma estratégia arriscada, que poderá impactar a dinâmica eleitoral. O tempo mostrará se essa escolha se revelará acertada ou se resultará em mais descontentamento entre os aliados.
Fonte: folhavitoria.com.br