Destruição em massa de livros para alimentar Ias levanta questões éticas

Destruição em massa de livros para alimentar Ias levanta questões éticas

O fenômeno, conhecido como “AI slop”, refere-se a conteúdos de baixa qualidade gerados por IAs, que contaminam os bancos de dados utilizados para treinamento. Para contornar esse problema, as empresas estão recorrendo a obras publicadas antes de 2022, ano em que o ChatGPT foi lançado, o que impulsionou a demanda por livros originais.

O aumento nas vendas de livros

Um livreiro anônimo relatou um aumento significativo nas vendas desde abril deste ano, com saídas semanais passando de 20 para centenas de livros. O ISBNdb, um dos principais agregadores de catálogos de livros, registrou um crescimento na demanda, oferecendo serviços de vendas em larga escala, com pedidos que variam de mil a um milhão de livros.

Embora não haja confirmação direta de que as empresas de IA estejam por trás dessas compras, a aleatoriedade dos pedidos e a exclusividade de livros com ISBN indicam um padrão preocupante. A 404 Media observou que muitos desses livros são adquiridos a preços inflacionados, sem qualquer critério sobre tema ou autor.

Controvérsias legais e éticas

As empresas de IA têm enfrentado desafios legais relacionados ao uso de livros para treinar seus modelos. A Alphabet, por exemplo, foi processada por editoras por supostamente utilizar milhões de livros protegidos por direitos autorais. A Anthropic, por sua vez, pagou uma multa significativa por manter obras pirateadas em seu diretório, mas a decisão judicial reafirmou que o uso de livros para treinamento pode se enquadrar na regra de “uso justo” da legislação de direitos autorais dos EUA.

Destruição de livros durante a digitalização

O processo de digitalização de livros também levanta questões éticas. Tom Harvey, da Anthropic, confirmou que a empresa contratou serviços de digitalização, mas um dos métodos utilizados envolve a destruição de páginas para alimentar escâneres industriais. Essa prática, embora mais barata, é criticada por comprometer a integridade das obras.

A crescente demanda por livros para alimentar IAs, combinada com práticas questionáveis de digitalização, destaca a necessidade de um debate mais profundo sobre a ética no uso de obras literárias. À medida que a tecnologia avança, é crucial encontrar um equilíbrio entre inovação e respeito aos direitos autorais e à integridade cultural.

Fonte: infomoney.com.br

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