A história de Valtanir Mateus e Edmilson Domingos Lomar, amigos de longa data, ilustra como laços de amizade podem se transformar em gestos de solidariedade. Em um ato espontâneo, Valtanir, de 54 anos, ofereceu um de seus rins a Edmilson, que lutava contra uma doença renal e dependia de hemodiálise há seis anos. O transplante, realizado no Hospital Evangélico de Vila Velha (HEVV) no Dia do Amigo, simboliza não apenas uma nova chance de vida, mas também a profundidade da amizade entre os dois.
Ambos naturais de Iúna, Valtanir e Edmilson se conheceram há mais de 30 anos, trabalhando juntos na construção civil e na lavoura. Apesar da distância que se formou ao longo dos anos, a amizade se manteve firme. Quando Edmilson foi diagnosticado com uma doença renal, resultante de complicações do diabetes, precisou mudar-se para Linhares para realizar sessões de hemodiálise. Ao saber da situação, Valtanir não hesitou em oferecer-se como doador.
“Conheço ele há mais de 30 anos. Nós sempre convivemos juntos e, quando soube que ele precisava de um rim, falei: ‘Se der certo, eu vou doar para você’. Graças a Deus, deu certo. Minha família me apoiou desde o primeiro momento, disse que eu estava fazendo uma coisa boa”, relata Valtanir, visivelmente emocionado.
Edmilson, por sua vez, expressa sua gratidão pelo gesto altruísta. “Uma pessoa andar quase 200 quilômetros para ajudar alguém que nem é da família, que nem tem o mesmo sangue, é uma coisa que me emociona demais. Eu só tenho gratidão. Ganhei um rim, mas também ganhei uma história que vou levar para a vida inteira”, afirma.
A coordenadora do Centro de Transplantes do HEVV, Samara Ferreira, explica que a doação entre pessoas vivas é permitida pela legislação brasileira, desde que sejam seguidos todos os protocolos de avaliação clínica e jurídica. “Cada caso passa por uma análise criteriosa antes da autorização para o transplante. Histórias como essa mostram que a doação em vida pode representar uma nova oportunidade para pacientes que aguardam por um transplante e reforçam a importância da conscientização sobre a doação de órgãos”, destaca.
Mais do que devolver a saúde, o transplante fortaleceu uma amizade construída ao longo de três décadas. O procedimento, realizado no Dia do Amigo, simboliza um vínculo que vai além das palavras. “Hoje a minha alegria é saber que pude ajudar um amigo”, conclui Valtanir.
Fonte: eshoje.com.br