Com o avanço da inteligência artificial (IA), a criação de conteúdos, sejam eles verdadeiros ou falsos, tornou-se uma tarefa simples e acessível a todos. Essa facilidade levanta questões sobre o impacto das informações geradas, especialmente em relação à desinformação. Motivadas por essa preocupação, as estudantes Alice Gomes, Beatriz Vasconcellos e Letícia de Oliveira, do 9º ano do Colégio e Curso Desafio, em Recife, desenvolveram a ferramenta Pense Bem.
O projeto, que venceu o HackaNAV 2026, uma competição nacional de inovação promovida pelo Nave a Vela, oferece uma avaliação de risco para publicações antes de serem compartilhadas. As estudantes ganharam como prêmio uma imersão na NASA, agência de pesquisa espacial dos Estados Unidos.
Pense Bem: uma abordagem inovadora
Beatriz Vasconcellos, uma das criadoras, explica que o Pense Bem permite que os usuários insiram conteúdos que pretendem publicar, para que a ferramenta analise o potencial de escalonamento e os possíveis efeitos negativos. “Antes de publicar, pense no impacto”, é o convite feito aos usuários.
A plataforma faz perguntas cruciais para avaliar o risco do conteúdo, como:
- Este conteúdo envolve nudez ou material íntimo de alguém menor de 18 anos?
- Foi gerado ou editado por IA?
- Há pessoas reais reconhecíveis?
- Elas deram consentimento?
- Mostra os fatos como realmente aconteceram?
Com base nas respostas, a ferramenta classifica o conteúdo e sugere adequações para evitar a disseminação de desinformação.
“Fake news podem afetar muito a vida das pessoas, até mesmo na vida pessoal e na socialização”, avalia Beatriz.
A Unesco classifica a desinformação como um dos principais riscos globais para o futuro, superando até questões como mudanças climáticas e violência.
Impactos na democracia
As estudantes realizaram pesquisas e entrevistas para entender melhor os efeitos da desinformação. Beatriz destaca que a desinformação pode impactar negativamente a democracia, tanto em anos eleitorais quanto em períodos normais. Alice Gomes complementa que a IA, embora útil, pode levar as pessoas a não questionarem a veracidade das informações recebidas.
O projeto não apenas ajudou as estudantes a desenvolverem um pensamento crítico sobre o que consomem e compartilham online, mas também as motivou a melhorar a conscientização sobre o tema entre seus pares.
“Melhorou o nosso pensamento como pessoa”, diz Alice, referindo-se à mudança na forma como consomem notícias.
Futuro e desdobramentos
O Pense Bem está em fase de aprimoramento e também prevê desdobramentos voltados para a educação digital nas escolas, incluindo jogos e formações. O trio já desenvolveu outra plataforma, a Fato ou Boato, que ajuda na identificação de notícias falsas.
Empolgadas com a visita à NASA, as estudantes agora consideram carreiras em tecnologia, enquanto Beatriz sonha em ser médica.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br