A coligação Brasil Pronto pra Mais, liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apresentou um pedido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a cassação da chapa que inclui o senador Flávio Bolsonaro e o deputado federal Alfredo Gaspar. A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) foi protocolada na quarta-feira, 21 de outubro de 2026, e alega abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação.
Além da cassação, a coligação solicita que Flávio, Pablo Marçal e Tallis Gomes sejam considerados inelegíveis por oito anos. A ação menciona irregularidades na campanha de Flávio, incluindo o uso de inteligência artificial e a distribuição de conteúdo nas redes sociais, além de pagamentos à empresa Elytron.
De acordo com a petição, os sistemas de recomendação e as ferramentas de inteligência artificial de plataformas como Meta e X favoreceram a candidatura de Flávio em detrimento da de Lula. Embora as empresas sejam citadas como terceiras interessadas, o pedido de cassação não se dirige a elas.
A ação foi encaminhada ao corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. O segundo turno das eleições está marcado para o próximo domingo, 25 de outubro de 2026.
Argumentos da coligação
A coligação argumenta que a questão não se resume ao que os candidatos dizem, mas sim a quem controla o que os eleitores visualizam. A petição destaca vários pontos, incluindo:
- Uma rede de 255 perfis que gerou 58,6 milhões de visualizações em um mês;
- O perfil de Flávio com interações significativamente superiores ao de Lula, apesar de ter menos seguidores;
- O uso de ferramentas de inteligência artificial para promover a candidatura de Flávio;
- A desativação da conta de anúncios da campanha de Lula antes do primeiro turno;
- Um total de 1.613 anúncios eleitorais pagos em moeda estrangeira, com valores significativos recebidos pela Meta.
Além disso, a petição menciona um pagamento de R$ 600 mil da campanha de Flávio à empresa Elytron, que, segundo reportagens, teria tentado vender um sistema de manipulação eleitoral fora do Brasil.
Pedidos da coligação
A coligação busca decisões provisórias antes do segundo turno, incluindo:
- Preservação de registros das plataformas Meta e X, com multa diária de R$ 100 mil;
- Proibição de tratamento desigual entre os candidatos até as 23h59 do dia 25 de outubro, com multa de R$ 1 milhão por plataforma;
- Esclarecimentos técnicos das empresas em 48 horas;
- Novas medidas a serem analisadas após as respostas;
- Recomposição do alcance pago que a campanha de Lula alega ter perdido.
Ao final do processo, a coligação pede a cassação do registro ou diploma de Flávio e Gaspar, além de inelegibilidade para Flávio, Pablo Marçal e Tallis Gomes, sendo que a inelegibilidade de Gaspar dependeria de sua contribuição para os fatos investigados.
Contexto de outras denúncias
O governo Lula também vê a atuação de empresas de tecnologia como uma questão de influência geopolítica. Em janeiro de 2025, o ministro da Secom, Sidônio Palmeira, afirmou que as ações da Meta desafiavam a soberania nacional. Recentemente, o marqueteiro da campanha de Lula insinuou que a Meta favorece a extrema-direita e que está interferindo nas eleições brasileiras.
A avaliação do governo é que há interesses externos, especialmente dos Estados Unidos, em um resultado favorável à direita brasileira, especialmente em um contexto de aproximação entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump.
Além das ações no TSE, a campanha de Lula já havia questionado a restrição de sua conta de anúncios e relatado uma queda no alcance de publicações favoráveis. Outras iniciativas incluem uma investigação sobre um possível esquema de distribuição de criptomoedas para promover a candidatura de Flávio, que resultou na suspensão de um site que oferecia essa prática.
Fonte: poder360.com.br