A poucos dias do encerramento do prazo para as convenções partidárias, Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) ainda não definiram seus vices, enquanto outros candidatos já concluíram essa etapa. As convenções devem ser finalizadas até 5 de agosto, e os registros das candidaturas precisam ser apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 15 de agosto, marcando o início oficial da campanha.
A escolha do vice, embora frequentemente menos destacada, é crucial. Ela pode ampliar o diálogo com segmentos específicos do eleitorado, fortalecer alianças partidárias, aumentar o tempo de propaganda eleitoral e expandir a estrutura política da campanha nos estados.
Resistência de Flávio
Flávio Bolsonaro busca uma composição mais ampla, priorizando a escolha de uma mulher para seu vice, com o objetivo de melhorar sua aceitação entre o eleitorado feminino. Uma pesquisa recente indicou que, em um possível segundo turno, Lula possui 50% das intenções de voto entre as mulheres, enquanto Flávio alcança 40%.
A principal tentativa de Flávio envolveu a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que aceitou o convite, mas a direção nacional do Progressistas decidiu manter neutralidade na disputa presidencial, inviabilizando a aliança. Outros nomes, como Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, e a deputada Renata Abreu (Podemos-SP), estão sendo considerados, mas enfrentam obstáculos semelhantes, já que seus partidos também tendem à neutralidade.
Com dificuldades em atrair uma legenda para a coligação, cresce a possibilidade de uma chapa composta apenas por integrantes do PL.
Zema também esbarra nas alianças
O Novo enfrenta uma situação parecida. O partido procurou conversar com nomes de fora da legenda para ampliar seu alcance, mas as negociações não avançaram. O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, foi elogiado por Zema, mas não houve acordo. A composição com o empresário Geraldo Rufino, ligado ao Podemos, também não se concretizou, pois ele optou por disputar uma vaga no Senado por São Paulo.
Sem alternativas viáveis, dirigentes do Novo já consideram a possibilidade de lançar uma chapa “puro-sangue”, repetindo a estratégia adotada por outras siglas menores.
Lula mantém fórmula de 2022
Entre os candidatos que já finalizaram as negociações, Lula decidiu manter a chapa da eleição passada, com Geraldo Alckmin (PSB) como vice. Essa parceria, que visa ampliar o diálogo com setores centristas e do empresariado, foi mantida após quase quatro anos de governo.
Alckmin, além de vice, também comandou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e participou de negociações cruciais durante a crise comercial provocada por tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Força do PSD
Ronaldo Caiado (PSD) também definiu sua chapa rapidamente, escolhendo Gilberto Kassab como vice. Essa decisão fortalece o envolvimento do PSD na campanha presidencial e reforça a proposta de uma alternativa à polarização entre PT e PL.
A avaliação do partido é que essa composição facilitará a construção de palanques estaduais e atrairá candidatos ao Congresso que desejam se distanciar da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Discurso antissistema
Renan Santos, do Missão, enfrentará uma disputa sem alianças, tendo como vice Aroldo Medina, um militar da reserva com experiência em diferentes partidos e disputas eleitorais no Rio Grande do Sul. Essa composição reflete a estratégia da legenda de se apresentar como uma alternativa antissistema, sem coligações com outras siglas.
Fonte: infomoney.com.br