Os Estados Unidos e o Irã estão avançando nas negociações para um acordo provisório que pode reabrir o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais críticas para o transporte global de petróleo. Esse movimento pode também sinalizar o fim da guerra no Oriente Médio.
O Paquistão, atuando como mediador, anunciou que as partes concordaram com uma estrutura principal para um acordo de paz, com a possibilidade de uma assinatura eletrônica em breve, seguida de conversas técnicas na próxima semana.
Apesar do progresso, o Irã demonstrou cautela quanto aos prazos. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, indicou que a data exata da assinatura do memorando de entendimento ainda não é clara e não deve ocorrer imediatamente.
O presidente dos EUA, Donald Trump, havia mencionado em suas redes sociais que o acordo com o Irã estava previsto para ser assinado em breve, com a expectativa de que o Estreito de Ormuz fosse “aberto a todos” após a assinatura.
Paquistão vê acordo mais próximo
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, declarou que as partes estão “mais perto de um acordo de paz do que nunca”. Ele mencionou que Islamabad se prepara para a assinatura eletrônica do entendimento, seguida de discussões técnicas na próxima semana.
Uma autoridade americana, no entanto, evitou comentar sobre o momento exato da assinatura, ressaltando que se trata de “um ótimo acordo” e “muito vantajoso”.
Esta não é a primeira vez que EUA e Irã parecem próximos de um entendimento para encerrar a guerra, que teve início em 28 de fevereiro, após ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã. Até agora, as tratativas anteriores não se concretizaram.
O que está em negociação
O acordo em discussão foca na reabertura do Estreito de Ormuz, que foi bloqueado pelo Irã durante o conflito. Antes da guerra, cerca de 140 navios transitavam diariamente pela região, considerada uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo.
Segundo informações de autoridades citadas pela Bloomberg, a proposta prevê uma abordagem gradual, com a reabertura de Ormuz ocorrendo primeiro, enquanto o Irã receberia benefícios econômicos à medida que cumprisse exigências dos EUA.
Entre os objetivos de Washington estão impedir que Teerã desenvolva um programa de armas nucleares e garantir apenas a manutenção de um programa nuclear civil. O acordo também prevê a retirada de material nuclear enriquecido do país e, caso os termos sejam cumpridos, o alívio de sanções e a reintegração gradual do Irã à economia global.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que a soberania iraniana sobre o estreito seria mantida sob o acordo proposto. Ele também declarou que Teerã está “mais perto de um entendimento do que nunca”, embora a assinatura ainda dependa da análise dos termos.
Tensão militar continua em Ormuz
As negociações ocorrem em meio a episódios de tensão perto do Estreito de Ormuz. O Comando Central dos EUA informou que forças americanas abateram drones iranianos que teriam como alvo navios comerciais próximos à hidrovia.
No último sábado, a Marinha do Reino Unido também relatou que uma embarcação foi atingida por um projétil não identificado na costa de Omã.
Caso o acordo seja assinado, Reino Unido e França devem formar uma coalizão para remover minas iranianas que, segundo os Estados Unidos, foram colocadas na região, aumentando as tensões e os riscos para a navegação.
Fonte: infomoney.com.br