Os Estados Unidos anunciaram a aplicação de uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio. A medida, divulgada na quinta-feira (23), se soma aos 25% já impostos na semana anterior, resultando em um aumento significativo para as exportações do Brasil.
O Brasil faz parte de um grupo de 59 países afetados por essa nova política tarifária, que varia entre 10% e 12,5%. Segundo cálculos da iniciativa Global Trade Alert (GTA), o Brasil é o segundo país mais impactado pelas tarifas do governo Trump, perdendo apenas para a China. Com a soma das tarifas, o Brasil mantém uma tarifa média efetiva de 18,89%, subindo da 13ª para a segunda posição em termos de penalizações tarifárias.
Um relatório do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), divulgado em junho, destacou que, embora o Brasil afirme proibir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado, essas proibições não são suficientes para impedir a entrada de tais produtos no mercado interno. O USTR classificou a política brasileira como “injustificável”, considerando-a um obstáculo ao comércio americano.
Na nova categorização, o Brasil foi incluído entre os países que não proíbem efetivamente a importação de produtos feitos com trabalho forçado. Ao todo, 54 países foram incluídos nesse grupo, o que reflete uma preocupação crescente com as práticas trabalhistas em diversas nações.
Especialistas sugerem que esta nova rodada de tarifas pode ser uma tentativa de substituir as tarifas globais de 10% geradas pela seção 122, que expira no final de julho. Essas tarifas foram inicialmente implementadas pelo governo Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), cuja utilização foi considerada ilegal pela Justiça americana, levando a administração a buscar novas justificativas legais para as restrições comerciais.
As investigações sob a Seção 301 normalmente duram um ano, mas os EUA já sinalizaram a intenção de acelerar esse processo. Jamieson Greer, representante dos EUA para o comércio, enfatizou que a inação de parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável e que essa disparidade prejudica os trabalhadores americanos.
Greer também indicou que, caso os países não queiram negociar, novas tarifas ou multas poderão ser impostas, reforçando a postura rigorosa dos EUA em relação a práticas comerciais consideradas injustas.
Fonte: eshoje.com.br