David Morens, ex-assessor de Anthony Fauci no Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA (NIAID), declarou-se culpado na última terça-feira (18 de agosto de 2026) por tentar ocultar registros federais relacionados às origens do surto de coronavírus na China. A confissão ocorre em um contexto de crescente pressão política sobre Fauci, que, durante uma audiência em julho, invocou a 5ª Emenda da Constituição dos EUA para evitar responder a perguntas sobre suas decisões durante a pandemia.
Colaboração e ocultação de informações
Morens, de 78 anos, atuou como consultor sênior no gabinete de Fauci de 2006 a 2022. Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, ele admitiu ter trabalhado em conjunto com cientistas externos ao governo para proteger o financiamento federal destinado a pesquisas sobre vírus. Há suspeitas de que esses cientistas tenham realizado experimentos em Wuhan, onde a pandemia de covid-19 teve início.
Um documento judicial, aceito como parte de um acordo, revelou que Morens transferiu discussões sobre esses experimentos para um e-mail pessoal, tentando evitar a divulgação pública. Ele alegou que essa ação visava proteger os cientistas de acusações infundadas relacionadas à hipótese de vazamento em laboratório.
Gratificações e investigações
Além de ocultar informações, Morens declarou ter recebido gratificações ilegais, incluindo garrafas de vinho e promessas de refeições em restaurantes renomados. No entanto, a investigação até o momento não apresentou provas diretas de que cientistas ou autoridades de saúde tenham participado de pesquisas que contribuíram para o surto de coronavírus.
Pressão política e documentos reveladores
A pressão sobre Fauci aumentou com a divulgação de mais de 1.000 páginas de e-mails e anotações, que mostram discussões sobre a eficácia das vacinas e a origem do coronavírus. O senador republicano Rand Paul divulgou esses documentos, que revelam que Fauci começou a debater a possibilidade de um acidente de laboratório em janeiro de 2020, em uma teleconferência com pesquisadores.
Fauci também foi registrado pressionando por uma comunicação ativa para evitar a percepção pública de culpa ou ocultamento, especialmente em relação à eficácia das vacinas.
Próximos passos legais
A sentença de Morens está marcada para 12 de novembro, e ele enfrenta uma pena de até cinco anos de prisão por conspiração e fraude contra os EUA. O caso continua a ser acompanhado de perto, à medida que novas informações podem surgir e impactar a narrativa em torno da gestão da pandemia.
Fonte: poder360.com.br