Ramírez criticou a postura do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA), onde foi o único membro a votar contra uma resolução que convocava uma reunião de chanceleres para discutir a situação política da Nicarágua, após o presidente Daniel Ortega declarar o fim das eleições no país.
“Ortega suprimiu as eleições. Não negue você, presidente, à Nicarágua o direito de eleger livremente; esse mesmo direito que pode torná-lo presidente do Brasil mais uma vez”, escreveu Ramírez, ressaltando a importância da democracia.
Na sessão do Conselho Permanente da OEA, o Brasil se posicionou de forma isolada, o que gerou questionamentos sobre sua política externa em relação à Nicarágua. Ramírez expressou preocupação de que essa postura possa ser interpretada como uma conivência com o regime de Ortega, que é amplamente criticado por sua repressão à oposição e à liberdade de expressão.
Escritor e ex-revolucionário sandinista, Ramírez foi vice-presidente durante o primeiro governo de Ortega, de 1985 a 1990. Atualmente, ele se refere ao governo nicaraguense como uma ditadura e critica a forma como Ortega e sua esposa, Rosario Murillo, controlam o país. Ramírez, que vive exilado na Espanha, teve sua nacionalidade retirada e enfrenta um mandado de prisão na Nicarágua.
Na carta, Ramírez recorda a última vez que viu Lula, em 1991, quando o brasileiro discursou em um congresso da Frente Sandinista. Ele enfatiza que a democracia deve ser defendida independentemente de inclinações políticas e critica a ideia de que a oposição à Ortega só seria válida com a vitória de Flávio Bolsonaro nas eleições brasileiras.
Ramírez também menciona as críticas de Ortega a Lula quando o Brasil não reconheceu a presidência de Nicolás Maduro sem a apresentação de provas eleitorais. Para ele, a atual posição do Brasil na OEA se distorce da postura anterior de Lula, que defendia a democracia como um valor universal.
Fonte: cnnbrasil.com.br
PUBLICIDADE