O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu bloquear R$ 119 milhões em bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. A medida foi tomada após a Polícia Federal (PF) apontar que Costa Neto estaria manipulando emendas parlamentares mesmo sem ter mandato no Congresso Nacional.
A PF revelou que as emendas foram “forjadamente encaminhadas e desviadas”, com Valdemar possivelmente sendo o beneficiário final. Até o momento, cerca de R$ 104 milhões já foram pagos, segundo a corporação. A reportagem está em busca de contato com o presidente do PL.
Na decisão, Dino suspendeu a execução de todas as despesas públicas relacionadas às emendas e exigiu que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), apresente, em até dez dias, toda a documentação pertinente aos valores sob suspeita.
A ordem judicial é um desdobramento da operação Transparência, iniciada em dezembro do ano passado, que teve como alvo Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, assessora do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). A análise do celular da servidora revelou que Valdemar utilizava seus serviços para direcionar recursos conforme seus interesses, evidenciando indícios de crimes de peculato.
O relatório da PF indica que Valdemar tinha autonomia para direcionar emendas de acordo com sua própria cota, atribuída por sua posição como presidente do PL. Além disso, foram encontradas planilhas que organizavam as indicações de Valdemar, que incluíam os nomes de parlamentares fictícios para dar aparência de legalidade às fraudes.
A PF observou que um volume considerável de emendas foi indicado por alguém sem mandato. Além de Tuca, outros dois servidores da Câmara, Nara Brum e Garigham Pinto, são suspeitos de participarem do esquema. Em comunicações interceptadas, Nara menciona emendas “do Valdemar” e afirma que ele não aceitaria mudanças nos destinos dos valores, indicando uma articulação em níveis superiores da Câmara.
Garigham, por sua vez, atuava como um “interlocutor mais direto” de Valdemar, participando ativamente das negociações e orientando a formalização das indicações. Quando contatado, ele afirmou que sua atuação é técnica e não tinha comentários a fazer.
A PF conclui que os três servidores estão cientes da clandestinidade de suas ações, que vão além da função burocrática e adentram um espaço de cogestão irregular, onde não apenas seguem instruções, mas também orientam e adaptam destinações de acordo com diretrizes informais atribuídas a Valdemar.
Fonte: eshoje.com.br