A guerra no Irã se intensificou neste fim de semana, alcançando o mar Vermelho e o mar Cáspio, mesmo após a suspensão dos ataques aéreos dos Estados Unidos. Os houthis, grupo do Iémen, realizaram ataques a instalações petrolíferas na Arábia Saudita, enquanto o governo iraniano acusou a Ucrânia de um ataque contra um navio comercial iraniano.
Foi a primeira vez em duas semanas que os Estados Unidos não realizaram bombardeios no Irã. As Forças Armadas dos EUA informaram que o bloqueio naval permanece “em pleno vigor”, mas não esclareceram o motivo da interrupção dos ataques, que ocorreram por 13 noites consecutivas.
Um membro do governo do ex-presidente Donald Trump declarou à Reuters que o republicano ainda busca uma solução diplomática, mas já demonstrou as consequências de uma negociação ineficaz por parte de Teerã. Trump decidiu, por enquanto, evitar uma intensificação dos bombardeios, considerando o consumo de munições, os impactos econômicos da guerra e o risco de afastar aliados do Golfo Pérsico.
Houthis ampliam tensão no mar Vermelho
Apesar da diminuição das ações norte-americanas, os confrontos se expandiram para uma rota estratégica do comércio de petróleo. Os houthis afirmaram ter atacado instalações da Aramco, a petroleira estatal saudita, em Jizan e Yanbu, localizadas na costa do mar Vermelho.
Uma coluna de fumaça foi avistada perto da refinaria de Jizan, que possui capacidade para processar até 400 mil barris de petróleo por dia. Fontes do setor indicaram danos potenciais a depósitos de combustíveis.
Em Yanbu, dois mísseis direcionados a instalações petrolíferas foram interceptados. A cidade é o principal porto saudita de petróleo no mar Vermelho, servindo como uma alternativa ao estreito de Ormuz, que está sob controle iraniano.
Forças do governo do Iémen, apoiadas pela Arábia Saudita, responderam com ataques às posições houthis, e ambos os lados começaram a mobilizar tropas, segundo autoridades. Essa movimentação pode ameaçar a paz estabelecida desde 2022, quando um cessar-fogo foi implementado, mas rompido em julho, quando os houthis se envolveram diretamente no conflito ao lado do Irã.
Irã responsabiliza Ucrânia por ataque no Cáspio
No mar Cáspio, o governo iraniano acusou a Ucrânia de um ataque a um navio comercial, resultando na morte de um marinheiro e ferimentos em outro. Teerã convocou o encarregado de negócios ucraniano para prestar esclarecimentos sobre o incidente.
A acusação surgiu após o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmar que a Rússia estava fornecendo ao Irã imagens de satélite para auxiliar em ataques no Oriente Médio.
Além disso, Teerã declarou ter destruído radares, sistemas militares, aeronaves e helicópteros dos EUA entre 6 e 22 de julho. Segundo a Guarda Revolucionária, os alvos incluíram sistemas Patriot, instalações de inteligência e estruturas de suporte a caças e drones.
Fonte: poder360.com.br