A valorização recente é atribuída a uma combinação de fatores, incluindo expectativas de negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, que poderiam aliviar tensões geopolíticas e impactar positivamente os mercados globais. Com o índice já superando marcas importantes, a atenção se volta para as condições que podem sustentar essa trajetória de crescimento e levar o Ibovespa a novas fronteiras.
Na sexta-feira (10), o Ibovespa registrou um fechamento histórico, ultrapassando a marca dos 197 mil pontos. Este avanço foi notável, especialmente porque muitas das projeções de mercado que previam o índice em torno dos 200 mil pontos para o fim do ano foram alcançadas antes do previsto, já nos primeiros meses do segundo trimestre. A expectativa de um desfecho positivo nas negociações entre Estados Unidos e Irã contribuiu significativamente para o sentimento positivo dos investidores.
Esse cenário de otimismo antecipado reflete uma percepção de melhora nas condições macroeconômicas e geopolíticas, que tendem a favorecer os ativos de risco. A capacidade do mercado de absorver e reagir rapidamente a notícias favoráveis demonstra a resiliência e o potencial de valorização da bolsa brasileira.
Diante do desempenho robusto, instituições financeiras têm revisado suas projeções. Um exemplo é o JPMorgan, que, no fim do ano passado, tinha um cenário-base de 190 mil pontos para o Ibovespa. Agora, para atingir o cenário otimista do banco, de 230 mil pontos, as estrategistas da instituição apontam a necessidade de uma transição para um crescimento estrutural mais sustentável no Brasil.
Para que esse cenário se concretize, seriam necessárias mudanças políticas, como uma postura fiscal mais crível. Isso, por sua vez, abriria espaço para uma política monetária mais flexível e ajudaria a comprimir os rendimentos em toda a curva de juros. Se essas condições forem atendidas, o Brasil poderá apresentar um desempenho significativamente superior no mercado de ações.
A resolução de conflitos geopolíticos é um fator crucial. Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, avalia que o fim do conflito entre Irã e Estados Unidos poderia adicionar cerca de 35 mil pontos ao índice. Essa projeção dependeria de um câmbio favorável, com o dólar em patamar mais baixo, e de uma queda mais acentuada das taxas de juros.
Além disso, a acomodação do preço do petróleo em um patamar mais baixo, próximo aos US$ 70 por barril que prevaleciam antes do conflito, reduziria a pressão sobre as expectativas de inflação global. A diminuição dos custos de energia é um alívio para a economia e para a política monetária, permitindo maior flexibilidade na condução das taxas de juros.
Mesmo antes de um cenário de resolução de conflitos, algumas casas já haviam reforçado o otimismo com o índice entre o fim de março e o início de abril. O Safra, por exemplo, elevou sua projeção para o Ibovespa para 220 mil pontos no fim deste ano, enquanto o BB Investimentos manteve um preço-alvo de 205 mil pontos para o índice.
A tese do Safra, atualizada no fim de março, destaca que o índice negocia a múltiplos inferiores à sua média histórica e abaixo de mercados emergentes e pares latino-americanos. Esse desconto não parece compatível com o potencial de crescimento de lucros embutido nas estimativas atuais. A equipe econômica do banco acredita que o Banco Central pode “olhar através” de choques temporários do petróleo, desde que seus efeitos sobre a inflação não se mostrem persistentes.
As projeções do Safra indicam a Selic em 11,75% no fim de 2026 e 9,5% no fim de 2027, patamares mais benignos para ativos de risco. O banco também ressalta que, em ciclos anteriores de afrouxamento monetário, o múltiplo preço/lucro do Ibovespa avançou, em média, de 9,8 vezes para 11 vezes, reforçando a tese de reprecificação da bolsa com a queda dos juros. A tese de médio prazo do Safra se apoia em: bolsa descontada, lucros em recuperação, possível continuidade do corte de juros, fluxo internacional para emergentes e maior atratividade relativa de setores da economia real.
Fonte: infomoney.com.br
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