A Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) divulgou, nesta quinta-feira (16 de julho de 2026), que as tarifas de 25% aplicadas sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos podem resultar em um impacto superior a US$ 11 bilhões nas exportações da indústria e do agronegócio do Brasil.
Em sua nota, a Amcham destacou que o tarifaço “coloca o Brasil entre os países com condições mais restritivas no mundo para acessar o mercado norte-americano”. O USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) confirmou, na quarta-feira (15 de julho), a nova tarifa sobre produtos brasileiros.
A medida, que já está em vigor, abrange produtos destinados ao mercado norte-americano, com exceções para carne, café e outros itens. A Amcham argumenta que essa taxação “tende a elevar custos para as empresas e consumidores dos Estados Unidos, reduzir a competitividade de suas indústrias que utilizam insumos brasileiros, bem como ampliar a sua dependência de fornecedores asiáticos, potencialmente agravando o déficit comercial norte-americano com países daquela região”.
A instituição considerou “positiva” a lista de exceções às tarifas e expressou a expectativa de que os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantenham abertos os canais de diálogo.
Investigação comercial e tarifas
A tarifa de 25% foi proposta em 1º de junho de 2026, após o USTR concluir uma investigação da Seção 301 contra o Brasil. O governo norte-americano justificou a medida como uma resposta a práticas comerciais injustas.
O documento do USTR incluiu temas como Pix, comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. A investigação concluiu que o Brasil adota políticas que favorecem o Pix, colocando empresas norte-americanas do setor de pagamentos eletrônicos em “desvantagem injusta”.
Nos dias 6 e 7 de julho, o escritório realizou uma audiência pública antes da decisão final sobre a proposta de tarifas. O governo Lula optou por não enviar representantes para discursar, sendo representado apenas por integrantes da Embaixada do Brasil em Washington.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) participou do segundo dia da audiência, mas seu depoimento não contribuiu significativamente para alterar a decisão de Donald Trump.
Equipes técnicas dos dois governos já se reuniram diversas vezes no Grupo de Trabalho instituído para as negociações, além de cinco reuniões de alto nível com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. A última ocorreu na terça-feira (14 de julho), um dia antes do anúncio do novo tarifaço.
O Planalto considera as tarifas “injustas” e retirou temas como o Pix da mesa de negociação. Em 13 de julho, Lula afirmou que não haveria tarifaço, mas não esclareceu o motivo de sua avaliação.
Histórico das tarifas
As primeiras tarifas impostas pelos EUA ocorreram em 2 de abril de 2025, quando Trump estabeleceu tarifas recíprocas de 10% para 125 países, incluindo o Brasil. No total, 185 nações e territórios foram afetados pela medida, que visava reduzir o déficit comercial dos Estados Unidos.
Em 15 de novembro, Washington formalizou a redução das tarifas de importação sobre produtos como carne bovina, café, tomate e banana. O decreto de Trump cancelou a tarifa recíproca de 10% imposta inicialmente, mas manteve uma taxa adicional de 40% decretada em agosto.
Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, por 6 votos a 3, que as tarifas globais impostas por Trump eram ilegais, e no mesmo dia, o presidente assinou um decreto para impor uma tarifa global de 10% a todos os países.
Fonte: poder360.com.br