A proposta de redução da jornada de trabalho sem um correspondente aumento de produtividade pode resultar em um aumento de 6,2% nos preços ao consumidor, conforme estimativa da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) e do Sindimaq (Sindicato Nacional da Indústria de Máquinas). O cálculo foi divulgado na última sexta-feira (28 de agosto de 2026).
A análise considera uma diminuição de 9% no tempo disponível para a produção e os custos adicionais necessários para manter o mesmo nível de fabricação. Para mais detalhes, a íntegra está disponível em PDF.
A discussão ocorre em meio a debates sobre a jornada de trabalho no Brasil, onde a maioria do setor opera com uma carga de 44 horas semanais. A análise das entidades parte do princípio de que, se uma fábrica reduz suas horas de operação, mas precisa manter a mesma produção, terá que compensar essa perda de tempo com maior produtividade, horas extras ou contratação de novos funcionários.
Se não houver ganhos de eficiência, a Abimaq e o Sindimaq afirmam que uma redução de 9% no tempo produtivo exigiria:
- 11% mais horas extras;
- 7,7% mais funcionários.
Além disso, a introdução de dois descansos semanais remunerados poderia aumentar em 9% os gastos com a folha de pagamento.
Esses fatores combinados resultariam, segundo as entidades, em um aumento médio de 6,2% nos preços ao consumidor final, refletindo uma estimativa específica para o setor de máquinas e equipamentos, e não uma projeção oficial para a inflação do país.
Impactos nos custos de produção
O impacto se dá porque uma parte dos custos de operação de uma fábrica não diminui proporcionalmente à jornada de trabalho. Despesas fixas, como aluguel, manutenção de máquinas e outras, permanecem constantes, mesmo com a redução das horas trabalhadas.
Se a produção também cair, os custos fixos são distribuídos entre uma quantidade menor de produtos, elevando o custo médio por unidade. Isso pode resultar em margens de lucro reduzidas para as empresas ou um repasse desses custos ao consumidor final.
Para mitigar esse efeito, a alternativa é aumentar a produção em cada hora trabalhada. Quanto maior a eficiência produtiva, menor será o impacto de uma redução da jornada sobre o custo de cada item produzido.
Desafios da competitividade
A Abimaq e o Sindimaq relacionam a discussão sobre a jornada de trabalho ao chamado Custo Brasil, que abrange uma série de custos e ineficiências que impactam a produção nacional, incluindo questões tributárias, burocráticas e logísticas.
Esses fatores fazem com que a produção no Brasil seja aproximadamente 26% mais cara em comparação com concorrentes internacionais. A preocupação é que uma redução da jornada sem um aumento correspondente na produtividade possa elevar ainda mais os custos e comprometer a competitividade das empresas brasileiras.
Nesse contexto, a tecnologia é vista como uma solução para aumentar a produção por hora. A automação, robótica e inteligência artificial podem permitir que as empresas mantenham a mesma produção em menos tempo, minimizando os efeitos de jornadas reduzidas.
Propostas para aumentar a produtividade
A Abimaq e o Sindimaq defendem uma agenda focada no aumento da produtividade, que inclui quatro frentes principais:
- Educação e qualificação profissional – preparar os trabalhadores para operar sistemas de inteligência artificial e automação;
- Modernização do parque industrial – facilitar o acesso a crédito para aquisição de máquinas e equipamentos;
- Transformação digital – promover o uso de dados e sistemas inteligentes nas empresas;
- Reformas estruturais – reduzir custos tributários e logísticos e simplificar a legislação para os negócios.
As entidades também propõem a manutenção do limite de 44 horas semanais e o uso de negociações coletivas para definir jornadas de trabalho que atendam às especificidades de cada setor.
Fonte: poder360.com.br