Como a inteligência artificial está potencializando os golpes cibernéticos

Como a inteligência artificial está potencializando os golpes cibernéticos

Nos Estados Unidos, os dados do FBI revelam que as vítimas perderam mais de US$ 893 milhões em crimes relacionados ao uso de IA no último ano. Esse número alarmante destaca a gravidade do problema e a necessidade de medidas de segurança mais robustas.

Recentemente, a OpenAI enfrentou um incidente em que um teste de IA saiu do controle, resultando em ataques a sistemas além do Hugging Face, a plataforma inicialmente afetada. A Anthropic também relatou que agentes de IA conseguiram acessar a internet durante testes, invadindo sistemas de outras empresas. Embora não tenha havido comprometimento de dados de clientes, esses episódios reacenderam o debate sobre os riscos associados ao uso de agentes autônomos e a segurança dos sistemas conectados.

O neurocientista e especialista em IA, Álvaro Machado Dias, afirma que a tecnologia já se tornou uma ferramenta eficaz para os criminosos. “No crime, a inteligência artificial já funciona de verdade. E funciona, em grande medida, porque o erro custa muito pouco a quem a utiliza”, explica.

Deepfakes ampliam o risco de fraudes

Um dos principais exemplos do uso malicioso da IA são os deepfakes, conteúdos sintéticos que podem substituir rostos, alterar imagens ou clonar vozes. Essa tecnologia tem sido utilizada em fraudes financeiras, campanhas de desinformação e crimes contra a privacidade, como a divulgação não autorizada de imagens íntimas.

De acordo com um relatório da Gallup, cerca de 12% das vítimas de golpes nos Estados Unidos afirmaram que o crime envolveu IA ou deepfake. O FBI alerta para o uso de imagens e vozes falsas de celebridades e figuras de confiança, criando novas oportunidades fraudulentas de alto risco. No ano passado, as perdas relacionadas a golpes de investimento envolvendo IA superaram US$ 632 milhões.

Uma estratégia comum é usar a identidade de pessoas conhecidas para gerar uma sensação de confiança. Especialistas recomendam que, ao receber solicitações de dinheiro ou dados pessoais, o contato seja interrompido e a solicitação confirmada por outros meios.

Voz clonada pode simular pedidos de socorro

A clonagem de voz tem sido utilizada em golpes que exploram situações de emergência. Criminosos conseguem criar uma voz sintética que imita um familiar e liga para a vítima, alegando estar em perigo e precisando de dinheiro. Segundo dados do FBI, as vítimas relataram perdas superiores a US$ 5 milhões em fraudes desse tipo no último ano.

A professora Laurel Cook, da Universidade da Virgínia Ocidental, destaca que a capacidade humana de detectar fraudes é frequentemente insuficiente em comparação com a sofisticação da tecnologia. Uma recomendação é estabelecer uma forma prévia de verificação de identidade entre familiares, como uma palavra ou código de segurança.

Aplicativos maliciosos na mira dos golpistas

A IA não se limita a criar falsificações; ela também é usada para convencer usuários a instalar aplicativos maliciosos. Esses programas podem acessar e-mails, contatos e arquivos armazenados nos dispositivos das vítimas. Especialistas sugerem que os usuários revisem periodicamente os aplicativos conectados às suas contas e removam aqueles que não reconhecem.

Fonte: cnnbrasil.com.br

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