Irã: especialista desvenda a ausência de ataques terroristas em conflito com EUA e Israel

Imagem gerada com IA

Para Daniel Byman, diretor do Programa de Guerra, Ameaças Irregulares e Terrorismo do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), a ausência de terrorismo iraniano durante o conflito com Israel e os Estados Unidos, apesar da expectativa, pode ser explicada por uma série de fatores complexos e interligados. O especialista aponta para restrições que variam desde limitações operacionais até contenção estratégica, moldando as decisões de Teerã em um momento crítico.

Limitações operacionais e a supressão de redes externas

Uma das explicações mais diretas para a inatividade terrorista do Irã é a possível incapacidade temporária de suas redes. Os ataques de Israel e dos Estados Unidos ao território iraniano, que incluíram uma campanha de assassinatos de mais de 250 importantes líderes políticos e militares, revelaram uma notável penetração de inteligência no país.

É plausível que as técnicas de inteligência empregadas para atingir esses líderes também tenham desarticulado operações terroristas planejadas. Além disso, a campanha de assassinatos pode ter prejudicado severamente o comando e controle, dificultando a organização e direção de operações enquanto os líderes iranianos se viam forçados a se esconder de ataques aéreos.

A cautela estratégica e o risco de uma escalada maior

Outra possibilidade é que o Irã tenha agido com cautela, temendo uma escalada ainda mais severa e retaliação por parte dos Estados Unidos e de Israel. Embora as operações Epic Fury e Lion’s Roar já tivessem liberado um poder de fogo considerável, os Estados Unidos poderiam ter infligido danos muito maiores ao Irã.

Declarações anteriores de figuras como Donald Trump, que prometeu desencadear destruição sobre “uma civilização inteira” e atacar infraestruturas críticas, somadas ao envio de forças terrestres para a região do Golfo, indicam o potencial para um conflito de proporções muito maiores. Nesse cenário, ataques terroristas, especialmente contra o território continental dos EUA ou alvos civis de alto perfil, poderiam ter transformado uma guerra limitada em um conflito existencial para o regime iraniano.

O impacto na imagem global e o cálculo político

A terceira razão para a contenção iraniana pode estar ligada ao risco de uma reação internacional adversa. A guerra contra o Irã não desfrutava de grande apoio popular nos Estados Unidos, e era ainda menos popular na Europa e na Ásia. No entanto, um ataque terrorista poderia ter alterado drasticamente essa percepção.

Tais ações poderiam ter aumentado a aprovação do conflito, criando um “casus belli” que antes era fraco ou inexistente. Em vez de dividir os adversários do Irã, o terrorismo poderia uni-los, fortalecendo a vontade política, legitimando a escalada e minando os esforços de Teerã de se apresentar como vítima de agressão.

A estratégia de vingança a longo prazo de Teerã

Uma possibilidade mais sombria é que os ataques terroristas estejam apenas em preparação, seguindo a máxima de que a vingança é um prato que se serve frio. O especialista Daniel Byman lembra que o Irã já demonstrou paciência em suas retaliações, como no caso do assassinato do ex-assessor de Segurança Nacional John Bolton, planejado mais de um ano após a morte de Qasem Soleimani.

A escala das mortes em 2026, incluindo o assassinato do líder supremo do Irã, do chefe de inteligência e do comandante do IRGC, é incomparavelmente maior. Teerã pode estar simplesmente aguardando a oportunidade mais propícia para se vingar, talvez esperando que o conflito direto esteja completamente encerrado e o risco de uma escalada adicional seja menor.

A eficácia da resposta atual e a redundância do terrorismo

Por fim, os líderes iranianos podem ter concluído que não precisavam recorrer ao terrorismo, pois sua resposta atual já se mostrou eficaz. Ataques com drones e mísseis, interrupções no transporte marítimo e a guerra por procuração já permitiram a Teerã impor custos significativos e criar um fator de dissuasão contra a retomada do conflito.

Nesse contexto, o terrorismo pode ter sido considerado redundante, oferecendo pouca vantagem adicional enquanto implicaria riscos desproporcionais. Em suma, as explicações sugerem que a contenção do Irã é contingente e não permanente, podendo ser uma pausa estratégica ditada por limitações de capacidade, cautela ou timing.

Fonte: infomoney.com.br

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