O resultado operacional, medido pelo Ebitda, alcançou R$967 milhões, um aumento de 22,5% em comparação ao ano anterior, enquanto a receita líquida totalizou R$1,2 bilhão, com um crescimento de 20,9%.
Executivos da ISA destacaram que os números do trimestre foram impulsionados pelo início das operações de novas linhas e subestações, além de melhorias em ativos existentes. No entanto, as despesas financeiras, que aumentaram devido ao crescimento da dívida, impactaram negativamente o resultado.
A dívida bruta da ISA Energia atingiu R$17,7 bilhões ao final de junho, um crescimento de 10,7% em relação ao encerramento de 2025. O índice de alavancagem foi de 3,78 vezes.
Nos últimos anos, a empresa aumentou seu endividamento para financiar novos projetos. A carteira atual de investimentos da companhia soma R$12 bilhões até 2033, incluindo compromissos com empreendimentos “greenfield” e melhorias na rede existente.
A diretora financeira da ISA Energia, Silvia Wada, afirmou que a companhia optou por não participar do leilão de transmissão programado para o segundo semestre de 2026, mas continua avaliando a possibilidade de participar de um certame relacionado à contratação de baterias. “Estamos estudando com disciplina para entender se faz sentido, é algo novo… queremos avaliar se isso pode ser uma nova via de crescimento”, disse ela.
A ISA Energia opera um dos poucos projetos de baterias em larga escala do Brasil, que serve como um teste para explorar os possíveis usos da tecnologia no sistema elétrico local. Com 30 megawatts (MW) de potência, o sistema de armazenamento, localizado no litoral sul paulista, atua como um reforço para a rede elétrica nos horários de pico.
O CEO, Rui Chammas, destacou os esforços da empresa para preparar seus ativos de transmissão para eventos climáticos extremos, um projeto iniciado há mais de dois anos após um estudo abrangente sobre o tema. Chammas mencionou que o principal desafio são os ventos, que se tornaram mais intensos e em novas configurações. “Tem um vento chamado ‘downburst’, que achata a infraestrutura, e miniciclones que aparecem e acabam quase que arrancando as torres”, explicou.
No final de julho, uma forte ventania no interior de São Paulo afetou quatro torres de transmissão da ISA, que já foram substituídas por torres provisórias. O CEO afirmou que a companhia está preparada para enfrentar o próximo El Niño, com uma mentalidade de recomposição e ação rápida para restabelecer os serviços em caso de distúrbios.
“Não consigo fazer torres à prova do vento, seriam estruturas muito pesadas. Mostramos isso para a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), que reconheceu que em alguns casos, torres ou estruturas seriam sete vezes mais pesadas. Estamos tentando nos preparar para enfrentar esses ventos”, concluiu Chammas.
Uma das iniciativas implementadas como piloto na região de Ribeirão Preto (SP) são “grampos deslizantes” nas linhas de transmissão. Em situações de ventos extremos, esses dispositivos atuam como um mecanismo de proteção, evitando a derrubada em cascata das torres.
Fonte: infomoney.com.br
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