Lula questiona mudanças na escala 6 X 1 com Congresso mais conservador

Lula questiona mudanças na escala 6 X 1 com Congresso mais conservador

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou suas dúvidas sobre a possibilidade de o Congresso, que se tornará mais conservador a partir de 2027, reverter a recente decisão de acabar com a escala 6 X 1. A nova configuração foi aprovada na última sexta-feira (16.out) e representa uma conquista significativa para a classe trabalhadora, segundo o petista.

Durante uma entrevista ao SBT, Lula afirmou: “Pode, mas eu duvido que tire, porque não é uma coisa do Lula ou não é uma coisa do governo. O fim da escala 6 X 1 foi uma conquista do povo brasileiro”. Ele destacou que diversas categorias já operam sob a escala 5 X 2, sugerindo que a mudança já está em curso em algumas áreas.

O presidente também mencionou um histórico de resistência a alterações nas leis trabalhistas que beneficiam os trabalhadores. Ele citou a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em 1943 e a implementação do 13º salário em 1962 como exemplos de conquistas que enfrentaram oposição.

Questionado sobre compensações para setores que podem ser afetados pela mudança, Lula lembrou que, historicamente, toda conquista para os trabalhadores foi vista como uma ameaça ao sistema. “Nessa pátria da qual somos filhos, toda vez que você teve uma conquista para o povo trabalhador, o mundo ia acabar. Foi assim a vida inteira”, disse.

Além disso, Lula criticou a visão do setor empresarial sobre as necessidades do povo. Ele comparou o desejo de empresários por férias prolongadas em Paris com a realidade dos trabalhadores, que também desejam aproveitar suas conquistas. “Olha que engraçado, porque eles querem ter 10 dias para ir para Paris. E no caso do povo pobre, eles acham que vai beber. Não. Se o povo ganhar um pouco mais, ele vai pegar férias e também ele quer passear”, afirmou.

Proposta de tarifa zero para ônibus aos fins de semana

O presidente também defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa implementar a tarifa zero para ônibus nos fins de semana. O governo deve apresentar a proposta ao Congresso nesta semana, antes do segundo turno das eleições presidenciais, agendado para 25 de outubro.

Lula garantiu que os recursos para a medida virão de parte das emendas dos congressistas. Ele comentou sobre a necessidade de diálogo com o Congresso: “Vai ser uma briguinha com o Congresso Nacional, mas isso faz parte da democracia. Todo deputado vai querer fazer uma concessão das suas emendas para que os seus eleitores possam passear no final de semana e visitar parente. Eu, sinceramente, acho que não vai ter problema”.

A expectativa é que o custo da implementação da tarifa zero seja em torno de R$ 16 bilhões por ano, com os valores sendo provenientes das emendas de congressistas. Lula reiterou que essa é uma medida que beneficiará a população e facilitará o acesso ao transporte público.

Fonte: poder360.com.br

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