O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comunicou a aliados sua intenção de reenviar ao Senado a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) antes das eleições. Contudo, o ministro ainda demonstra cautela quanto à possibilidade de uma nova votação.
lula: cenário e impactos
No dia 29 de abril, o Senado rejeitou a indicação de Messias, marcando uma derrota histórica para o governo, que resultou em 42 votos contrários e 34 a favor. Após essa votação, Lula rompeu a aliança com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), considerado responsável pela rejeição.
Recentemente, Lula manifestou a disposição de reenviar a indicação de Messias ao Senado, com a expectativa de que isso ocorra antes das eleições de outubro. Apesar da intenção, ainda não há certeza sobre como seria uma segunda votação e a necessidade de alinhamento com Alcolumbre permanece.
O ponto de inflexão, segundo membros do Palácio do Planalto, foi a posse do ministro Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde Messias recebeu aplausos significativos. Para Lula, esse gesto simbolizou respeito ao trabalho de Messias e um desagravo ao indicado, enquanto Alcolumbre, presente na cerimônia, não participou das manifestações de apoio.
Messias, atual ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), teve uma conversa com Lula antes da posse no TSE, sendo essa a segunda reunião desde a derrota no Senado. Aliados de Messias afirmam que ele só aceitaria uma nova indicação se houvesse garantias de aprovação, especialmente após a experiência negativa anterior. Ele entrou de férias na quarta-feira (13) e deve retornar ao trabalho no dia 26 de maio.
Após a rejeição, Messias recebeu apoio de juristas próximos a Lula, aliados do governo e líderes evangélicos, que expressaram solidariedade e acreditam que sua rejeição foi resultado de um jogo político no Senado, não refletindo sua competência técnica.
Uma alternativa discutida seria Messias assumir o Ministério da Justiça, mas essa opção é considerada menos viável. O atual ministro, Wellington César Lima e Silva, enfrenta críticas internas em um tema sensível para Lula, que é a segurança pública. A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre segurança pública poderia levar à criação do Ministério da Segurança Pública e à reorganização dos cargos.
Entretanto, segundo interlocutores, o Ministério da Justiça não é atraente para Messias, pois o tempo restante do mandato é curto, e essa função poderia resultar em novos conflitos com o Congresso, sendo mais prudente para ele concluir seu trabalho na AGU.
Fonte: folhavitoria.com.br