Mercado global em alerta: novas ameaças de Trump ao Irã derrubam futuros e elevam petróleo

Imagem gerada com IA

Os mercados globais iniciaram a semana sob forte pressão, com os contratos futuros de ações dos Estados Unidos registrando queda e os preços do petróleo em ascensão. A movimentação é uma resposta direta às recentes declarações do ex-presidente Donald Trump, que voltou a proferir ameaças de escalada militar contra o Irã. Este cenário intensifica as preocupações com um possível agravamento do choque nos preços de energia e adiciona uma camada de incerteza às perspectivas da economia mundial.

As ameaças de Trump, que podem levar a uma deterioração ainda maior da situação no Oriente Médio, impactam diretamente a estabilidade econômica global. A volatilidade observada reflete a apreensão dos investidores diante de um conflito que já se estende e tem potencial para gerar consequências duradouras, especialmente no setor energético.

Novas ameaças de Trump e a escalada no Oriente Médio

Na madrugada de domingo, Donald Trump reiterou sua intenção de atacar a infraestrutura iraniana caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado. Este estreito é uma rota marítima vital, responsável pelo escoamento de aproximadamente 20% do petróleo e gás natural do mundo. As declarações foram seguidas por uma mensagem enigmática nas redes sociais, que dizia: “Terça-feira, 20h, horário da Costa Leste!”, sem fornecer detalhes adicionais sobre o que seria anunciado ou ocorreria.

Essas manifestações de Trump surgem em um momento em que a Opep+ já alertava para os danos duradouros aos ativos de energia no Oriente Médio. A organização prevê que, mesmo com um eventual fim do conflito, a oferta de petróleo enfrentará problemas persistentes. Até o momento, os sinais de avanço em direção a um cessar-fogo são escassos, e os ataques continuam a se espalhar pela região, mantendo o barril de petróleo bem acima da marca de US$ 100.

Mercado global reage a escalada de tensões

A abertura do mercado na segunda-feira (6) refletiu imediatamente a gravidade da situação. Os futuros do S&P 500 registraram uma queda de 0,4%, enquanto o petróleo Brent subiu cerca de 1%, atingindo a faixa de US$ 110 o barril. Este movimento contradiz o otimismo do final da semana anterior, quando o S&P 500 teve seu melhor desempenho semanal do ano, impulsionado por uma recompra de posições vendidas e especulações de que Trump estaria próximo de encerrar as operações militares.

Na quinta-feira, o discurso televisionado de Trump frustrou as expectativas de um cronograma claro para o fim da guerra, levando as bolsas americanas a abrirem em queda. Contudo, os índices viraram para o positivo após notícias de que o Irã estaria em conversas com Omã para gerenciar o tráfego de navios em Ormuz. Apesar dessa recuperação nas ações, o petróleo continuou sua trajetória de alta, com o WTI fechando acima de US$ 110 e o Brent próximo de US$ 109.

Inflação, juros e o cenário econômico em xeque

A guerra no Oriente Médio tem escurecido rapidamente o cenário econômico global, elevando o risco de desaceleração do crescimento e pressionando ainda mais uma inflação já elevada. Este contexto bagunça as apostas sobre a retomada dos cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) ainda em 2026. Os preços de energia e o bloqueio do Estreito de Ormuz permanecem como pontos centrais no radar dos formuladores de política econômica.

Esta semana será crucial para os mercados, com a divulgação do dado de inflação dos Estados Unidos na sexta-feira. A alta de aproximadamente US$ 1 por galão na gasolina nos postos americanos provavelmente impulsionou o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de março para uma elevação de 1% no mês. Esse seria o maior avanço desde o pico inflacionário pós-pandemia, registrado em 2022, conforme pesquisa com economistas.

Na sexta-feira anterior, os Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA) caíram após o dado de emprego de março superar as expectativas, levando o mercado a reduzir as apostas em cortes de juros pelo Fed. A economia americana criou 178 mil vagas no mês passado, superando todas as projeções da pesquisa da Bloomberg. Os juros (yields) dos Treasuries de 2 anos subiram 4 pontos-base, para 3,84%. Para mais informações sobre o impacto econômico, consulte fontes confiáveis como a Reuters.

O Estreito de Ormuz e o risco de um conflito prolongado

Os conflitos persistentes no Oriente Médio mantêm o petróleo em patamares elevados, pouco abaixo dos US$ 120 vistos no mês passado, quando ataques a ativos de energia e o fechamento de Ormuz provocaram o que a Agência Internacional de Energia classificou como o maior choque de oferta da história do mercado. Ataques atribuídos à República Islâmica danificaram a sede da estatal de petróleo do Kuwait e paralisaram uma planta petroquímica nos Emirados Árabes.

A ausência de sinais claros de avanço nas negociações para encerrar o conflito alimenta o temor de uma guerra prolongada, mesmo com Estados Unidos e Israel insistindo que seus objetivos centrais estão sendo alcançados. Homin Lee, estrategista do Lombard Odier, observa que “o jogo de previsões continua bem complicado para o investidor”. Ele ressalta que “o foco estará totalmente nas ações militares dos dois lados do Golfo Pérsico e em saber se as travessias de navios por Ormuz podem voltar a melhorar, apesar dos ataques”. Embora Trump já tenha recuado de suas ameaças de escalada em outras ocasiões, a incerteza atual permanece elevada.

Fonte: infomoney.com.br

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