A classificação de crédito da Argentina subiu de Caa1 para B3, com perspectiva positiva. Embora a melhoria ainda a mantenha em território altamente especulativo, as três principais agências de classificação de risco agora classificam a Argentina acima da categoria de alto risco, um marco significativo para um país que passou anos entre os tomadores de empréstimos soberanos mais arriscados nos mercados globais.
Segundo os analistas, “a elevação da classificação reflete nossa avaliação de que o risco de inadimplência da Argentina diminuiu substancialmente, à medida que a estabilização macroeconômica avançou além da fase inicial de ajuste para uma melhora mais duradoura nos fundamentos de crédito, um sinal de melhoria na governança”.
A perspectiva positiva, acrescentou a Moody’s, “reflete a visão de que o perfil de crédito da Argentina pode se fortalecer ainda mais, à medida que melhorias estruturais nas finanças externas se combinam com a estabilização macroeconômica em curso”.
A decisão da Moody’s segue a elevação da classificação de crédito da Argentina pela Fitch Ratings em maio e pela S&P Global Ratings em junho. Todas as agências citaram o sucesso de Milei na recuperação das contas fiscais e na redução da inflação, que estava em patamares de três dígitos.
O spread dos títulos soberanos argentinos em relação aos títulos americanos está agora em quase 400 pontos-base, o menor em oito anos, enquanto o país busca superar anos de crise econômica e inadimplência. Essas melhorias na classificação de risco ampliam o leque de potenciais investidores que podem deter dívida argentina.
O governo de Milei tem mantido superávits fiscais e recorrido à emissão de dívida em dólares, de acordo com a legislação local, além de acordos de recompra com bancos internacionais e financiamento multilateral para cumprir suas obrigações de dívida. O banco central também acelerou a acumulação de reservas, atingindo a meta do governo junto ao Fundo Monetário Internacional de comprar mais de US$ 10 bilhões em moeda estrangeira durante o primeiro semestre de 2026.
Ao mesmo tempo, o governo tem gradualmente flexibilizado alguns controles de capital e implementado reformas com o objetivo de normalizar o regime monetário e cambial do país. A elevação da classificação de risco pela Moody’s reforça ainda mais os argumentos a favor do retorno da Argentina aos mercados internacionais de dívida.
Embora as autoridades governamentais tenham argumentado que os custos de empréstimo da Argentina ainda não refletem adequadamente a melhoria dos fundamentos fiscais e externos do país, a Moody’s alertou que ainda existem riscos antes da eleição presidencial de 2027. Entretanto, a agência observou que o “gama de resultados políticos diminuiu” em relação aos ciclos eleitorais anteriores, aumentando a probabilidade de continuidade das políticas — uma preocupação antiga dos investidores.
Fonte: infomoney.com.br
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