O Ministério Público de São Paulo solicitou o arquivamento da representação criminal contra a deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) relacionada a um episódio de blackface durante um discurso na Assembleia Legislativa. O pedido foi formalizado em 23 de julho de 2026 pelo procurador de Justiça Sérgio Turra Sobrane.
A deputada utilizou tinta marrom no rosto e nos braços em março, durante uma fala na tribuna, para criticar a escolha da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) para presidir a Comissão de Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
Fabiana declarou: “Uma pessoa travestida de mulher não sabe o que é ser mulher e eu travestida de preta não sei o que é ser negra. Eu estou pintada de negra por fora. Me reconheço como negra. Por que eu não posso presidir a comissão contra o racismo?”.
O termo blackface refere-se à prática em que pessoas brancas pintam o rosto ou o corpo para representar pessoas negras, frequentemente associada à ridicularização e à reprodução de estereótipos racistas.
O MP-SP argumentou que não há elementos que indiquem a intenção de discriminar ou promover preconceito por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. O parecer será analisado pela Justiça de São Paulo, que decidirá sobre o arquivamento.
O órgão também considerou que o episódio está protegido pela imunidade parlamentar, que garante aos congressistas inviolabilidade por opiniões, palavras e votos relacionados ao exercício do mandato.
A deputada Mônica Seixas (Psol-SP), do mesmo partido de Hilton, foi quem apresentou a representação criminal contra Fabiana ao MP-SP.
Quem é Fabiana Bolsonaro
Apesar do sobrenome, Fabiana não é parente da família do ex-presidente Jair Bolsonaro. Filha do deputado federal Adilson Barroso (PL), ela adotou o nome “Bolsonaro” como estratégia política para indicar alinhamento ideológico, após um pedido do ex-dirigente ao seu pai.
O Poder360 procurou Erika Hilton para saber se gostaria de se manifestar sobre o caso, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.
A prática do blackface
A prática do blackface ganhou notoriedade nos Estados Unidos no século 19, especialmente em minstrel shows, onde artistas brancos caricaturavam rostos negros para entretenimento. Movimentos negros argumentam que o blackface ajudou a difundir imagens estigmatizadas da população negra, contribuindo para visões racistas ao longo do tempo.
Fonte: poder360.com.br