El Niño impulsiona contratos de startups climáticas no Brasil

El Niño impulsiona contratos de startups climáticas no Brasil

Recentemente, o estado do Rio Grande do Sul enfrentou fortes chuvas, resultando em 22 mil unidades sem energia elétrica e danos em 21 cidades, conforme relatado pela Defesa Civil. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) prevê chuvas acima da média na Região Sul e secas no centro-norte do Brasil nos próximos meses, além de um aumento nas temperaturas que pode intensificar a ocorrência de incêndios florestais.

Mateus de Oliveira Lima, co-fundador da i4sea, uma plataforma de gestão de risco climático, destaca que há 63% de chance de um El Niño forte até dezembro. Desde sua fundação em 2015, a startup tem expandido sua atuação, atendendo setores como energia, rodovias e mineração. Lima enfatiza a importância de as empresas entenderem e se prepararem para os riscos climáticos, transformando essa análise em protocolos de decisão.

Henrique Lucini Rocha, da Fractal, uma climate tech focada em inteligência hidroclimática, observa que o tempo médio de negociação de novos contratos caiu de 540 para 90 dias após os eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul. Ele atribui essa mudança à crescente conscientização das empresas sobre os riscos climáticos e a necessidade de se estruturarem para mitigá-los.

Apesar do aumento na demanda, Lima acredita que o interesse das empresas por soluções climáticas ainda está aquém do ideal. O ano de 2023 foi um marco, com o El Niño causando problemas logísticos significativos, como a paralisação da hidrovia dos rios Negro e Amazonas, afetando a cadeia de suprimentos da Zona Franca de Manaus.

Danilo Zelinski, da KPTL, investidora das startups i4sea e Fractal, aponta que a agenda de descarbonização está se diversificando, com um foco crescente na adaptação climática. Setores estratégicos, como o agronegócio, já sentem os efeitos das mudanças climáticas e buscam alternativas para mitigar esses impactos.

O cenário atual de venture capital, com juros altos, tem desafiado a captação de recursos para climate techs. No entanto, iniciativas como o programa EcoInvest do Tesouro Nacional estão ajudando a reduzir riscos e a desbloquear investimentos em soluções de adaptação climática.

O mercado financeiro também está mudando sua percepção sobre a importância de se preparar para as mudanças climáticas, com o Banco Central considerando a exposição a esses riscos nas avaliações de risco dos bancos. Para o investidor, as empresas precisam se adaptar às novas exigências e se preparar para os desafios que virão.

Fonte: infomoney.com.br

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