Uma nova fase de combate ao tráfico de cocaína está em andamento na Colômbia, com o governo do presidente Abelardo de la Espriella intensificando as operações contra grupos armados ilegais. Essa estratégia surge em um contexto de incerteza para ex-combatentes que participaram do programa de desmobilização conhecido como “Paz Total”.
Em uma clareira nas selvas do sul da Colômbia, um grupo de 99 ex-combatentes aguarda a decisão do novo governo sobre seu futuro. Eles foram desmobilizados durante a iniciativa de paz do governo anterior, que buscava reintegrar membros de grupos armados ao convívio civil, oferecendo treinamento e apoio. Contudo, com a nova administração, a continuidade desse processo se mostra incerta.
Desmantelamento da estratégia de paz
Desde que assumiu o cargo, De la Espriella tem criticado abertamente o processo de paz, que foi considerado uma farsa por ele e pelo governo dos Estados Unidos. A nova ofensiva militar contra grupos armados ilegais, como o ELN, já resultou em confrontos violentos, incluindo a morte de soldados colombianos em ataques de retaliação.
As operações militares foram intensificadas logo nos primeiros dias de mandato, refletindo uma mudança drástica em relação à abordagem anterior. A expectativa é que essa estratégia possa desmantelar as redes criminosas que operam em áreas rurais e urbanas.
Desafios para as Forças Armadas
As Forças Armadas colombianas enfrentam desafios significativos, incluindo a perda de liderança e a diminuição do apoio internacional durante o governo anterior. Especialistas alertam que a situação de segurança é crítica e que a resposta dos grupos armados pode ser violenta, com possíveis ataques em áreas urbanas.
O ex-comandante das Forças Armadas, Alberto José Mejía, destacou a necessidade de uma reestruturação rápida, afirmando que os militares terão que “consertar o avião enquanto ele está voando”.
Incerteza para ex-combatentes
Os ex-combatentes, que se encontram em centros de reintegração, vivem a expectativa de um futuro incerto. Muitos deles, como Darwin Cuajiboy, expressam receio de que a nova administração não cumpra as promessas feitas durante o processo de paz. A situação é ainda mais alarmante para aqueles que deixaram a vida de combate na esperança de uma nova chance.
Expectativas econômicas e segurança
Enquanto a ofensiva militar avança, investidores se questionam sobre o impacto nas economias locais, especialmente nos setores de petróleo e mineração, que historicamente sofreram com a violência. A situação fiscal da Colômbia já era frágil antes de um recente terremoto que causou danos significativos.
A vitória apertada de De la Espriella nas eleições também levanta dúvidas sobre sua capacidade de implementar reformas necessárias, uma vez que quase metade dos eleitores apoiou sua adversária, que defendia a continuidade das negociações de paz.
Alinhamento com os EUA e a linha dura
De la Espriella, ex-advogado de clientes envolvidos com o tráfico, construiu sua campanha em torno da promessa de derrotar os grupos armados. O apoio explícito de Donald Trump à sua candidatura e a redução da ajuda americana à Colômbia refletem um alinhamento com a estratégia de segurança dos EUA.
O novo presidente acredita que a melhoria da segurança pode impulsionar o crescimento econômico, especialmente através do aumento da produção de combustíveis, embora a implementação dessa visão dependa de uma gestão eficaz da situação de segurança no país.
Fonte: infomoney.com.br