A crise gerada pelo fechamento do Estreito de Ormuz tem sido um fator crucial para a pressão sobre os preços dos combustíveis de aviação. Budds destacou que, apesar do uso de estoques e do aumento das exportações por alguns países, a aproximação da temporada de maior consumo de gasolina nos Estados Unidos e na Europa pode restringir a disponibilidade de querosene de aviação, elevando ainda mais os preços. “Acreditamos que a situação pode piorar antes de melhorar”, afirmou.
Desde o início do conflito, a oferta de combustível de aviação caiu entre 20% e 30%, devido à redução da atividade nas refinarias e aos gargalos logísticos. O preço médio global do combustível saltou de US$ 96 por barril em novembro de 2025 para US$ 188 em abril deste ano, embora tenha recuado para US$ 158 em maio, ainda assim em níveis elevados.
A reabertura do Estreito de Ormuz não trará alívio imediato. A S&P Global estima que a recuperação da cadeia de abastecimento levará meses, com cerca de 80% da produção de petróleo anterior ao conflito retornando apenas após quatro meses. As refinarias, por sua vez, necessitarão de aproximadamente cinco meses para operar em níveis pré-guerra.
A S&P Global delineou três cenários para a evolução da crise. O cenário mais otimista prevê um acordo que permita a reabertura completa do Estreito, enquanto o mais pessimista considera interrupções na navegação por até três anos. O cenário-base, considerado o mais provável, sugere uma reabertura gradual a partir do fim de julho ou agosto, mas com preços que permanecerão elevados por um período prolongado, com estabilização apenas em 2028.
As projeções da S&P Global intensificam as preocupações do setor aéreo com os custos de combustível. O lucro das companhias aéreas deverá cair pela metade em 2026, passando de US$ 45 bilhões em 2025 para US$ 23 bilhões. Além disso, estima-se que o preço do combustível de aviação aumentará cerca de 70% neste ano, elevando os gastos das empresas em aproximadamente US$ 100 bilhões e fazendo com que o QAV represente mais de 31% das despesas totais do setor, em comparação a 25% no ano anterior.
Fonte: infomoney.com.br
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