O ex-governador Renato Casagrande (PSB) sinalizou uma abertura significativa para o diálogo com o PSD, visando possíveis alianças nas eleições deste ano, especialmente na disputa pelo Palácio Anchieta. Durante a convenção do Podemos, realizada na noite de ontem (20), Casagrande enfatizou que seu grupo está disposto a conversar com todos os partidos interessados, sem restrições.
“Estamos totalmente abertos ao diálogo com os partidos que quiserem conversar. Nós estamos no prazo do diálogo e de conversa”, afirmou Casagrande, referindo-se ao governador Ricardo Ferraço (MDB), que é o pré-candidato à reeleição. Essa declaração surge em resposta ao aceno do PSD, que, em uma reunião com suas lideranças, decidiu abrir conversas com todos os pré-candidatos ao governo do Estado, sem descartar a possibilidade de lançar uma candidatura própria.
O PSD, sob a liderança de Renzo Vasconcelos e Paulo Hartung, destacou a importância de ouvir todas as forças políticas, priorizando os interesses dos capixabas. “O cenário político mudou, e nós do PSD estamos atentos. A partir de agora, iniciaremos uma agenda de diálogo”, diz a nota do partido.
Recentemente, o PSD havia declarado apoio à pré-candidatura do ex-prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) ao governo do Estado, mas a situação se complicou com o início de conversas entre o Republicanos e o PL para uma aliança. O apoio de Pazolini ao presidenciável Flávio Bolsonaro e à pré-candidata ao Senado Maguinha Malta (PL) também gerou tensões nos bastidores.
Nos últimos dias, o PSD expressou descontentamento com o espaço que ocupa nas negociações, levando o deputado estadual Sergio Meneguelli, pré-candidato ao Senado pelo partido, a afirmar que o PSD tem condições de seguir sozinho nas eleições. A nota do partido reforçou essa posição, destacando sua trajetória e capacidade de disputar cargos eletivos.
Casagrande e a cautela no diálogo
A manifestação de Casagrande também trouxe à tona uma certa cautela. Ele ressaltou a necessidade de entender o movimento do PSD: “É preciso saber, de fato, qual é o sentido e o objetivo do movimento do PSD”. Essa dúvida reflete a incerteza no mercado político sobre a real intenção do PSD, se seria uma mudança de lado ou uma estratégia para pressionar o Republicanos.
Casagrande foi questionado sobre a presença de Hartung no PSD e se isso poderia dificultar o diálogo. Ele respondeu que não se pode vetar partidos por conta de pessoas, reiterando que está aberto ao diálogo, desde que o movimento do PSD seja genuíno.
O governador Ricardo Ferraço já havia tentado se aproximar de Renzo Vasconcelos antes do apoio de Pazolini, e essa possibilidade foi discutida com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.
* Com a contribuição de Enzo Bicalho
Fonte: folhavitoria.com.br