O recente embate entre o deputado estadual Lucas Polese (PL) e a liderança da Igreja Católica no Espírito Santo intensifica as tensões no cenário pré-eleitoral capixaba de 2026. O conflito foi desencadeado por um vídeo em que Polese critica duramente o arcebispo de Vitória, Dom Ângelo Ademir Mezzari, gerando uma mobilização institucional da Igreja e reações de lideranças religiosas locais.
O fato e as narrativas em disputa
O conflito teve origem em recortes de imagens de um evento institucional da Igreja. Na interpretação de Lucas Polese, as imagens indicariam um envolvimento do arcebispo com a pré-campanha de uma candidatura do PSOL. O deputado criticou publicamente a autoridade eclesiástica, associando-a a pautas ideológicas de esquerda e questionando sua conduta doutrinária.
Em resposta, documentos oficiais da Igreja desmentiram a natureza político-partidária do encontro. A Nota de Apoio do Conselho Presbiteral da Arquidiocese de Vitória esclareceu que as imagens estavam relacionadas à reinstituição da Comissão Justiça e Paz, ocorrida em julho de 2026. A Igreja enfatizou que a atividade era estritamente pastoral, classificando as acusações de Polese como distorções com fins de autopromoção.
Mobilização religiosa e repercussão nas bases
A resposta da comunidade católica foi tanto institucional quanto descentralizada. O Conselho Presbiteral e a CNBB Regional Leste 3 reafirmaram a inviolabilidade do ministério episcopal e rejeitaram ataques pessoais no debate público. Nos púlpitos, sacerdotes abordaram o tema nas homilias, manifestando desagrado com a postura de políticos que atacam lideranças religiosas. Um exemplo notável foi o posicionamento do pároco Pedro Camilo, que se manifestou contra a reeleição de Polese.
Implicações para o tabuleiro eleitoral
Do ponto de vista político, o posicionamento unificado da Igreja Católica cria fraturas significativas para a direita capixaba. O PL, partido de Polese, busca consolidar chapas competitivas, mas o desgaste com a maior autoridade católica do estado pode afastar o eleitorado católico moderado, que tradicionalmente converge com a direita em pautas econômicas e de costumes.
- Isolamento partidário: O desgaste com a Igreja tende a afastar eleitores católicos que respeitam a hierarquia eclesiástica.
- Fricção na direita e no centro: Políticos de legendas aliadas ou concorrentes podem se distanciar de discursos que atacam instituições religiosas.
- Vulnerabilidade da chapa: A estratégia de tensionamento ocorre em um momento em que o PL já enfrenta variáveis complexas, como candidaturas sob questionamento jurídico.
Fonte: eshoje.com.br