O EWZ, principal fundo negociado na Bolsa de Nova York que acompanha ações brasileiras, teve uma queda significativa de 17,97%, alcançando o valor de US$ 34,94 no pós-mercado deste domingo (25.out.2026). Essa desvalorização ocorreu após a confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, que se tornou um fator determinante para a reação negativa dos investidores.
O pós-mercado é um período de negociação que ocorre após o fechamento do pregão regular das Bolsas norte-americanas. As variações nesse intervalo podem indicar a expectativa dos investidores para o dia seguinte, mas não necessariamente refletem o desempenho do pregão regular.
O EWZ é um ETF (Exchange Traded Fund) que reúne ações de diversas empresas, sendo o principal veículo para investidores que desejam expor-se ao mercado brasileiro nos Estados Unidos. Ele acompanha o índice MSCI Brazil, que é composto por ações de companhias brasileiras de médio e grande porte.
A performance do EWZ é um indicativo da reação dos investidores às ações brasileiras, especialmente antes da abertura da B3, que ocorrerá na segunda-feira (26.out). Os setores financeiro, de energia e de materiais são os que mais influenciam a carteira do fundo.
Desempenho dos ADRs: perdas expressivas no mercado norte-americano
Além do EWZ, outras ações brasileiras negociadas nos Estados Unidos também apresentaram quedas significativas. Os ADRs da Petrobras e do Itaú, por exemplo, registraram perdas acentuadas. Por volta das 21h15, os ADRs da Petrobras, representando ações ordinárias (PETR3), caíam 11,96%, enquanto os papéis preferenciais (PETR4) recuavam 10,33%. Os recibos da Vale (VALE) tiveram uma baixa de 4,19%, e os do Itaú (ITUB) recuavam 13,65%.
Os ADRs são recibos negociados no mercado norte-americano que representam ações de empresas de outros países, permitindo que investidores dos Estados Unidos acessem papéis de companhias brasileiras sem a necessidade de comprar ações diretamente na Bolsa brasileira.
Expectativas frustradas do mercado após a reeleição de Lula
A vitória de Lula nas eleições contrariou as expectativas de uma parte do mercado financeiro, que previa uma mudança de governo e uma agenda econômica menos expansionista sob a liderança de Flávio Bolsonaro. Essa perspectiva havia contribuído para a valorização das ações após o primeiro turno das eleições.
Com a reeleição de Lula, os investidores estão propensos a rever suas posições ao longo da semana, o que pode resultar em maior volatilidade nas taxas de câmbio e nos juros futuros. Os preços dos títulos públicos também podem ser afetados, dado o novo cenário econômico.
Gabriel Pinheiro, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, prevê que a Bolsa brasileira abrirá em forte queda na segunda-feira (26.out.2026). Segundo ele, o mercado vinha precificando a vitória de Flávio Bolsonaro, que terminou o primeiro turno à frente de Lula. Pinheiro estima que o Ibovespa pode recuar entre 5% e 9% na abertura, podendo atingir entre 185 mil e 195 mil pontos. Em um cenário mais pessimista, o índice poderia testar os 170 mil pontos nas semanas seguintes.
Para Pinheiro, a intensidade da reação do mercado dependerá dos sinais do governo sobre a política fiscal, da composição da equipe econômica e da relação com o Congresso Nacional. Ele observa que setores como bancos, varejo e empresas de consumo podem ser os mais impactados, uma vez que se beneficiaram da expectativa de queda dos juros. “O mercado vai cobrar um prêmio até que se veja um plano fiscal crível e um compromisso de responsabilidade por parte do presidente Lula e sua equipe”, afirma.
Resultados das eleições e implicações futuras
A reeleição de Lula representa um marco importante, garantindo ao ex-presidente um quarto mandato na Presidência da República. O resultado das eleições foi uma reviravolta em relação ao primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro havia terminado à frente de Lula.
A votação foi marcada por problemas no transporte público, que resultaram no adiamento do encerramento das urnas para as 19h, evidenciando os desafios logísticos enfrentados durante o processo eleitoral.
Fonte: poder360.com.br