A Sabesp inicia, neste mês, a implementação de regras mais rigorosas do que as exigidas pelas normas técnicas brasileiras, visando reforçar a segurança em suas obras e minimizar os impactos nas cidades onde atua. O novo plano de ação é estruturado em três pilares: aprimoramento dos protocolos de engenharia e segurança, intensificação da fiscalização e monitoramento, e ampliação do programa de treinamento e certificação.
Atualmente, a Companhia possui 1.200 frentes de obra em andamento, um aumento significativo em relação ao período anterior à desestatização em 2024. Essas obras visam levar água e saneamento a locais que nunca tiveram acesso a esses serviços. Ao mesmo tempo, a Sabesp investe na recuperação de redes subterrâneas e equipamentos antigos, que careciam de manutenção, resultando em cerca de 18.000 reparos mensais.
O aumento nas frentes de trabalho gera impactos na rotina da população, como desvios de trânsito e interdições. O presidente da Sabesp, Carlos Piani, destaca que a empresa não tolerará acidentes e está aprimorando seus protocolos de segurança. “A Sabesp não pode parar de evoluir, mas faremos isso com o máximo cuidado com a vida e o bem-estar dos colaboradores e das comunidades”, afirma Piani.
Investimentos triplicam
A quantidade de fiscais em campo será ampliada de 200 para 600, um aumento de três vezes. Essa ampliação será baseada em critérios de risco e complexidade das obras, especialmente em locais com redes de gás e valas profundas. Além disso, a Sabesp implementará tecnologia de monitoramento com câmeras de inteligência artificial, garantindo que todas as obras sejam acompanhadas 24 horas por dia até 2026.
A segurança dos mais de 50.000 colaboradores e das comunidades vizinhas é uma prioridade. Em 2025, a Companhia aumentou em 23% os investimentos em programas de prevenção de acidentes em relação a 2024, e em 2026, esse investimento terá um acréscimo de 150%.
Novos protocolos
Uma mudança significativa será a ampliação da “zona de atenção” em obras próximas a redes de gás, que passará de 1 metro para 3 metros. Essa medida será aplicada em cerca de 60 obras que utilizam o método de furo direcional. A Sabesp também intensificará as verificações em campo, incluindo mais sondagens e a obrigatoriedade do uso de georadar para detecção de gás.
Os planos de contingência foram fortalecidos, incluindo sistemas de alerta e medidas de evacuação em caso de suspeita de vazamento de gás. A capacitação das equipes envolvidas nas obras será periódica e obrigatória.
Treinamentos
A Sabesp reforçará os critérios para empresas e profissionais que atuam em suas obras, tornando obrigatório um programa de treinamento e certificação. Essa medida visa garantir um nível elevado de capacitação técnica e alinhamento aos procedimentos de segurança da Companhia.
“Não contrataremos empresas que não atendam à certificação exigida. Essa medida reforça nossa diretriz de tolerância zero com práticas inseguras”, afirma Roberval Tavares, diretor-executivo de Engenharia e Inovação.
Os novos protocolos se somam a iniciativas como o programa Parceiros para o Impacto, que busca engajar empresas contratadas na adoção de boas práticas socioambientais e na melhoria da segurança nas operações.
Novas regras
A Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) iniciou uma força-tarefa de fiscalização voltada às obras realizadas em locais com tubulações de múltiplas concessionárias. Essa ação, com duração inicial de três meses, visa intensificar o acompanhamento técnico das intervenções em áreas urbanas.
Entre as medidas estão o aprimoramento do Manual de Boas Práticas e a criação de um grupo técnico permanente para prevenção de acidentes. A Sabesp também paralisou obras que necessitam de intervenção conjunta com concessionárias de gás, seguindo as diretrizes estabelecidas pela Arsesp.
Este texto foi originalmente publicado pela Agência SP, em 3 de abril de 2026, às 09h18. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.
Fonte: poder360.com.br