Tarifa adicional dos EUA: impactos limitados, mas atenção redobrada para o mercado

Imagem gerada com IA

Importantes produtos da pauta exportadora brasileira, como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose, foram isentos da nova cobrança. A XP destaca que, devido a essas isenções, o impacto macroeconômico deve ser limitado. A Ágora Investimentos também observa que a ampliação da lista de produtos isentos pode reduzir os efeitos sobre ativos de risco.

O Bradesco BBI ressalta que as exportações de minério de ferro, cobre e alumínio para os EUA, que foram isentas, são de pouca relevância. No setor de celulose, embora os EUA representem cerca de 15% das exportações brasileiras, a maioria dos produtos foi excluída da tarifa. A lista de isenções abrange mais de 2.100 produtos, incluindo carne e café, o que alivia a pressão sobre empresas como a Embraer.

Entretanto, setores como etanol, máquinas agrícolas e bens industriais continuam sob pressão. Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, menciona que o mercado já esperava a medida, resultando em uma leve queda nas ações após a abertura dos EUA. O foco agora se volta para as negociações entre Brasília e Washington, com empresas do setor siderúrgico e metalúrgico podendo sofrer mais.

André Matos, CEO da MA7 Negócios, acredita que a reação do mercado dependerá mais da lista de exceções do que da tarifa em si. Cassio Viana de Jesus, da Pilar Capital, estima que o impacto sobre o PIB será pequeno, entre 0,1 e 0,2 pontos percentuais, com os efeitos se concentrando nos manufaturados.

Especialistas alertam que a redução das exportações pode fortalecer o dólar em relação ao real, gerando pressões inflacionárias e dificultando cortes na taxa Selic. Marcelo Bassani, da Boa Brasil Capital, destaca que a adoção da Lei da Reciprocidade pelo Brasil, aumentando tarifas sobre produtos americanos, poderia pressionar ainda mais a inflação.

O câmbio também é uma preocupação. Lucca Bezzon, da StoneX, observa que dados recentes de inflação nos EUA foram fracos, aliviando a força do dólar, mas as tarifas e tensões geopolíticas continuam a gerar volatilidade. Bruno Corano, da Corano Capital, aponta que as justificativas para as tarifas vão além do comércio, envolvendo questões políticas e ambientais.

Fonte: infomoney.com.br

Mais recentes

PUBLICIDADE