A situação de uma idosa de 62 anos que passou 49 anos em condições análogas à escravidão enquanto trabalhava como empregada doméstica em Bragança Paulista, interior de São Paulo, chamou a atenção das autoridades. A mulher foi resgatada na quarta-feira (10), após denúncias que revelaram que sua aposentadoria era utilizada pela patroa para cobrir despesas da casa.
Desde 1977, a vítima prestava serviços sem interrupções, sem direito a folgas ou férias. Em 2015, conseguiu se aposentar após um breve período de registro em carteira, mas a remuneração recebida era controlada pela patroa, que liberava o dinheiro apenas quando solicitado. Após a aposentadoria, a idosa não recebeu qualquer pagamento e continuou a trabalhar na residência.
Condições de Trabalho e Resgate
Nos últimos meses, a idosa dormia no quarto da empregadora, uma mulher acamada da qual era a única cuidadora. Durante a operação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Inspeção do Trabalho do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), a vítima relatou que não saía do apartamento há cerca de quatro meses e que sua rotina exaustiva afetava sua saúde física e mental.
Ela revelou que não lavava os cabelos há mais de um mês e, após ser encontrada, foi acolhida por familiares. O MPT informou que a quantia devida à vítima soma R$ 1,6 milhão, incluindo R$ 672,9 mil em verbas trabalhistas e rescisórias, além de indenizações por danos morais.
Repercussão e Próximos Passos
O advogado da família solicitou um prazo de 20 dias para se manifestar sobre o caso. A situação expõe a necessidade de uma maior fiscalização e proteção dos direitos dos trabalhadores domésticos, especialmente os mais vulneráveis.
Fonte: cnnbrasil.com.br