A CNT (Confederação Nacional do Transporte) apresentou, na quarta-feira (29.jul.2026), o documento “O Transporte Move o Brasil”, uma agenda estratégica destinada a orientar os planos de governo dos candidatos à Presidência da República. O material, que será oficialmente entregue em agosto durante o Fórum CNT de Debates, reúne um mapeamento de 2.837 projetos prioritários de infraestrutura, com investimentos estimados em R$ 2,03 trilhões.
Além das obras estruturais, a CNT alerta sobre os impactos econômicos de possíveis mudanças na legislação trabalhista, a necessidade urgente de financiamento para a transição energética e a importância da segurança jurídica no ambiente de negócios.
Relações de trabalho e escala 6 x 1
Um dos pontos de atenção para os candidatos é a tramitação de PECs (Propostas de Emenda à Constituição) no Congresso Nacional, que buscam reduzir a jornada máxima de trabalho e extinguir a escala 6 x 1. A CNT enfatiza que o transporte é um serviço contínuo e que mudanças abruptas podem desorganizar o abastecimento logístico e a mobilidade urbana.
Um estudo no documento estima que a redução da jornada para 36 horas semanais poderia aumentar os custos trabalhistas do setor em até R$ 28,1 bilhões anualmente, além de resultar na perda de 84.000 postos de trabalho. Para evitar esse cenário, a proposta é que a calibração das escalas ocorra por meio de negociações coletivas entre empresas e sindicatos, adaptando as regras às realidades operacionais.
A CNT também pede regras isonômicas para plataformas digitais de frete e transporte de passageiros, sugerindo que esses aplicativos contribuam para o Sistema S do setor e exijam exames toxicológicos e cursos de especialização para motoristas parceiros.
Custo da insegurança e vandalismo
O diagnóstico apresentado aos candidatos revela que a ineficiência da segurança pública representa um grande obstáculo logístico. No segmento de cargas, os prejuízos diretos com roubos alcançam R$ 900 milhões por ano, podendo chegar a R$ 1 bilhão considerando os efeitos indiretos. Nas cidades, mais de 4.900 ônibus foram incendiados de forma criminosa nos últimos anos, resultando em perdas milionárias e ameaças ao sistema viário.
A CNT solicita apoio do futuro governo para aprovar legislações que endureçam as penas para roubo de cargas e tipifiquem como terrorismo a queima de veículos de transporte público. A confederação também pede a criminalização da venda e uso de jammers, bloqueadores de sinal de celular utilizados por organizações criminosas para impedir o rastreamento de caminhões.
Resiliência climática e renovação de frota
Diante de fenômenos climáticos recentes, como inundações e secas severas, a CNT propõe que as políticas de Estado adotem o conceito de “engenharia adaptativa”. O objetivo é garantir que concessões e obras públicas sejam resilientes a desastres naturais, evitando interrupções no fluxo logístico.
A entidade alerta que 25% dos caminhões em circulação no Brasil têm mais de 25 anos. Como os modelos modernos reduzem a emissão de poluentes em 95,4%, recomenda-se a criação de linhas de crédito permanentes e subsidiadas para a renovação da frota e a transferência de parte das cargas das rodovias para trens e hidrovias.
Garantia de investimentos
Vander Costa, presidente do Sistema Transporte, destaca que as obras do setor não devem ser afetadas por mudanças temporárias de gestão. “É urgente que o Brasil priorize, de forma contínua e coordenada, o planejamento de longo prazo e a execução de políticas públicas voltadas à modernização, à redução da insegurança jurídica e à integração do sistema de transporte”, afirma Costa.
Para resolver o déficit de R$ 2 trilhões em infraestrutura, o plano recomenda diversificar as fontes de financiamento e aproximar-se de bancos multilaterais, fomentando debêntures incentivadas e garantindo a blindagem jurídica dos contratos de concessão vigentes.
Fonte: poder360.com.br