A Usiminas (USIM5) divulgou seus resultados do segundo trimestre de 2026, que se mostraram em linha com as expectativas do mercado. No entanto, a reação do mercado foi negativa, com as ações caindo 3,61% às 10h25 (horário de Brasília), cotadas a R$ 8,02. Analistas expressam cautela em relação ao desempenho futuro da empresa.
A companhia reportou uma melhora operacional na siderurgia, mas enfrenta pressão crescente sobre custos e um mercado de aços planos enfraquecido. Instituições financeiras como Bradesco BBI, Itaú BBA e JPMorgan adotaram uma postura conservadora em relação às perspectivas para o restante do ano.
Resultados financeiros e operacionais
O lucro operacional da Usiminas alcançou R$ 761 milhões, incluindo R$ 70 milhões em ganhos não recorrentes, principalmente devido a uma ação judicial e à venda de ativos não operacionais. O Ebitda recorrente da divisão de aço foi um dos principais destaques, atingindo R$ 618 milhões, um aumento de cerca de 13% em relação ao trimestre anterior, impulsionado por reajustes de preços e um mix de vendas favorável.
Desafios no mercado de aços planos
Apesar do aumento na receita por tonelada, as vendas totais de aço caíram 2% em relação ao primeiro trimestre, totalizando 989 mil toneladas. Essa queda é atribuída ao enfraquecimento das exportações e à pressão crescente sobre os custos, que avançaram 2% a 8% segundo diferentes análises. A Usiminas continua priorizando produtos de maior valor agregado, com vendas para montadoras representando 37,7% das entregas domésticas.
Perspectivas para o terceiro trimestre
O guidance da administração para o terceiro trimestre sugere resultados “estáveis” na siderurgia, desconsiderando os efeitos não recorrentes. Isso implica que o aumento esperado nos volumes e preços será compensado pelo aumento nos custos de matérias-primas. O Bradesco BBI alerta que essa sinalização pode indicar que o segundo trimestre foi o ponto alto do ano para a Usiminas.
Desempenho da divisão de mineração
A divisão de mineração também apresentou resultados abaixo das expectativas, com um Ebitda de R$ 71 milhões, uma queda de 36% em relação ao primeiro trimestre. Apesar de volumes vendidos superiores às expectativas, a queda nos preços do minério de ferro e os custos logísticos elevados pressionaram os resultados. A empresa prevê uma piora na rentabilidade da mineração no terceiro trimestre.
Posição financeira e investimentos futuros
Em termos financeiros, a Usiminas encerrou junho com um caixa líquido de R$ 499 milhões, um aumento em relação aos R$ 391 milhões do trimestre anterior. A empresa também anunciou uma redução na projeção de investimentos para 2026, cortando o guidance de capex para uma faixa entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,4 bilhão. Essa medida é vista como um sinal de maior disciplina financeira em um cenário de incertezas.
Em resumo, apesar dos resultados do segundo trimestre estarem alinhados às expectativas, os analistas indicam uma deterioração gradual dos fundamentos para o restante do ano. A combinação de demanda fraca por aço plano, custos elevados e uma piora esperada na mineração reduz a visibilidade para uma continuidade da recuperação observada anteriormente. Assim, a recomendação do Bradesco BBI permanece neutra, com a expectativa de que o impulso nos resultados da Usiminas perca força no segundo semestre de 2026.
Fonte: infomoney.com.br