Volatilidade das opções de BOVA11, Petrobras e BB despenca após o primeiro turno eleitoral

Volatilidade das opções de BOVA11, Petrobras e BB despenca após o primeiro turno eleitoral

Após o primeiro turno das eleições, o cenário de incerteza que dominava o mercado financeiro sofreu uma queda significativa, refletindo diretamente nas opções de BOVA11, Petrobras e Banco do Brasil. O preço da incerteza, que estava elevado na sexta-feira, se tornou consideravelmente mais acessível após a apuração dos votos.

No último pregão antes do primeiro turno, as opções próximas do dinheiro apresentavam uma volatilidade implícita de aproximadamente 39% no BOVA11, 47% na Petrobras e 66% no Banco do Brasil. Com o resultado das eleições conhecido na segunda-feira (5), esses índices caíram drasticamente.

As opções com vencimento em 16 de outubro mostraram uma volatilidade implícita reduzida, situando-se entre 25% a 26% no BOVA11, 34% a 36% na Petrobras e 40% a 42% no Banco do Brasil. Essa diminuição reflete a saída de boa parte do prêmio que o mercado havia incorporado para lidar com a incerteza do primeiro turno.

Ativo Sexta-feira Segunda-feira
BOVA11 ~39% ~25%-26%
PETR4 ~47% ~34%-36%
BBAS3 ~66% ~40%-42%

A comparação utiliza opções próximas do dinheiro, que são aquelas cujo strike (preço de exercício) está próximo da cotação atual do ativo. A volatilidade implícita (IV) é uma medida derivada do próprio preço das opções, indicando a expectativa de oscilação futura embutida nesses contratos. Uma maior IV sugere um prêmio mais elevado pela opção, mantendo as demais condições constantes.

Embora a IV não indique a direção que o ativo tomará, sua queda sugere uma redução na percepção de risco por parte dos investidores.

Prêmio encolhe após o primeiro turno

Na sexta-feira, o mercado demonstrava pouca convicção sobre a direção dos ativos, cobrando um prêmio elevado pela possibilidade de movimentos significativos. No entanto, a situação mudou drasticamente na segunda-feira.

Segundo Matheus Medeiros, analista da Nomos, o fenômeno pode ser classificado como um vol crush, que se refere à rápida queda da volatilidade implícita após um evento que gera incerteza. O primeiro turno das eleições retirou uma parte relevante dessa incerteza de curto prazo, embora não tenha eliminado o risco eleitoral.

“O primeiro turno reduz a incerteza imediata, mas não elimina o risco eleitoral”, destaca Medeiros. Isso significa que, embora o mercado tenha diminuído o prêmio embutido nas opções, o risco ainda permanece.

Banco do Brasil apresenta o maior ajuste

O movimento de queda da volatilidade foi mais acentuado no Banco do Brasil, que na sexta-feira apresentava a maior volatilidade implícita entre os três ativos analisados, com cerca de 66%. Na segunda-feira, esse nível caiu para aproximadamente 40% a 42%, uma redução significativa de cerca de 24 a 26 pontos percentuais.

Segundo Medeiros, essa queda é atribuída ao fato de que o Banco do Brasil tinha um prêmio maior antes das eleições, permitindo uma reprecificação mais acentuada após o primeiro turno.

Ativos sobem, mas volatilidade cai

Embora BOVA11, Petrobras e Banco do Brasil tenham registrado altas significativas no mercado à vista, a volatilidade implícita das opções caiu. Essa aparente contradição pode ser explicada pela diferença entre o preço do ativo, que reflete o movimento atual, e a volatilidade implícita, que indica quanto o mercado está cobrando pela incerteza sobre os movimentos futuros.

Assim, um ativo pode valorizar-se fortemente em um dia, enquanto suas opções se tornam mais baratas em termos de volatilidade, caso o mercado perceba que parte da incerteza futura diminuiu.

BOVA11 e Petrobras também perdem prêmio

No BOVA11, a volatilidade implícita caiu de cerca de 39% para 25%-26%, enquanto na Petrobras a queda foi de aproximadamente 47% para 34%-36%. Embora essas reduções sejam menores em comparação ao Banco do Brasil, ainda são significativas e refletem a nova realidade do mercado após o primeiro turno das eleições.

Fonte: infomoney.com.br

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