Com a proximidade das eleições presidenciais de 2026, o voto de eleitores com 70 anos ou mais se tornou um tema central nas campanhas. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que quase metade desse grupo não compareceu às urnas no primeiro turno, com uma abstenção de 49,1%, o maior entre todas as faixas etárias. Essa situação, embora tenha melhorado em relação a 2022, quando a abstenção foi de 58,8%, ainda é alarmante, considerando que mais de 8 milhões de brasileiros dessa faixa etária deixaram de votar.
O eleitorado idoso, que cresceu de 14,9 milhões em 2022 para 17,2 milhões em 2026, representa mais de 10% do total de eleitores brasileiros. Essa mudança demográfica torna os votos dos idosos um recurso valioso em uma eleição que promete ser acirrada. Especialistas alertam que a mobilização desse grupo pode ser tão decisiva quanto conquistar novos eleitores.
Desafios da mobilização do eleitorado idoso
Os eleitores com mais de 70 anos não são obrigados a votar, o que significa que as campanhas precisam convencê-los da importância de sua participação. Para a cientista política Mayra Goulart, essa faixa etária apresenta o maior nível de abstenção proporcional, tornando-se um alvo estratégico para os candidatos. Mobilizar esses eleitores pode ser crucial em um cenário onde a diferença de votos é mínima.
A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, lançou uma cartilha com orientações para que apoiadores conversem com os idosos, enfatizando a importância de ouvir suas experiências e lembrá-los de momentos positivos de seus governos. O documento sugere que os apoiadores ajudem os idosos a se prepararem para votar, oferecendo suporte logístico e emocional.
Estratégias de comunicação e engajamento
As campanhas eleitorais estão adaptando suas estratégias para se conectar com o eleitorado idoso. A comunicação digital, que é eficaz com eleitores mais jovens, pode não ter o mesmo impacto entre os mais velhos. Portanto, campanhas em rádio e TV continuam a ser essenciais. A equipe de Lula busca resgatar memórias positivas dos primeiros mandatos do presidente, enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro também lançou uma plataforma chamada “70 Mais”, focada em propostas para a terceira idade.
Flávio Bolsonaro tem utilizado sua esposa, Fernanda, como uma voz importante na comunicação com os eleitores idosos, desmentindo informações falsas sobre suas propostas e reforçando seu compromisso com programas sociais essenciais para esse público. A campanha também se concentra em responder a críticas e desmentir acusações feitas por seus adversários.
Temas relevantes para o eleitorado idoso
Questões como aposentadoria, saúde pública e programas sociais são fundamentais para os eleitores mais velhos. A cartilha da campanha de Lula destaca a importância de abordar esses temas, especialmente em relação ao governo anterior de Jair Bolsonaro, que é acusado de prejudicar a Previdência Social. A comunicação é moldada para enfatizar as consequências diretas que as políticas de cada candidato podem ter sobre a vida dos idosos.
Além disso, as campanhas estão atentas ao fato de que os eleitores idosos consomem informações de maneira diferente, o que exige uma abordagem mais cuidadosa e direcionada. A polarização atual e as memórias sobre os governos passados de Lula também desempenham um papel significativo nas decisões de voto desse grupo.
Expectativas para o segundo turno
As pesquisas recentes indicam que Lula tem uma ligeira vantagem entre os eleitores acima de 60 anos, mas a disputa continua acirrada. Especialistas acreditam que a mobilização dos eleitores idosos será um fator decisivo para o resultado final da eleição. Com a diferença de votos entre os candidatos sendo tão estreita, cada voto conta, e a capacidade de engajar esse segmento da população pode determinar quem ocupará a presidência nos próximos anos.
Fonte: bbc.com