Noite dos OVNIs ganha série no Globoplay com segredos de 40 anos

Noite dos OVNIs: diretor revela bastidores de série do Globoplay com relato inédito sobre mistério de 40 anos no interior de SP

O clássico episódio conhecido como a Noite dos OVNIs, que há 40 anos mobilizou caças da Força Aérea Brasileira (FAB) em São José dos Campos, no interior de São Paulo, é um dos destaques de uma nova produção documental lançada recentemente.

Arquivos do Céu no Globoplay A série documental “Arquivos do Céu”, disponibilizada nesta quinta-feira (29) no Globoplay, conta com cinco episódios e traz revelações inéditas sobre o caso. Entre os depoimentos mais esperados está o do controlador de voo que acompanhou o evento na época e decidiu quebrar o silêncio após quatro décadas. A obra também aborda a trajetória de um fotógrafo que relata ter tido os negativos de seus registros levados de maneira misteriosa para os Estados Unidos.

Em entrevista, o diretor Caio Cavechini detalhou o processo de pesquisa e os desafios de estruturar uma narrativa sobre a ufologia brasileira que agradasse tanto céticos quanto entusiastas. “As histórias de avistamentos são preciosas, merecem ser contadas. Seus detalhes são ricos, ainda que muitas vezes não comprováveis. Cruzamos relatos, buscamos relações e aproximações com outros casos e outras hipóteses”, afirma Cavechini.

A escolha da trilha e da condução narrativa também passou por uma curadoria cuidadosa, incluindo a participação do cantor Lulu Santos como narrador dos episódios da plataforma de streaming. “E nos apoiamos em um narrador diferente, o Lulu Santos, dono de uma voz capaz de transitar entre o mistério, a filosofia e o humor leve. Nossa aposta foi por criar um documentário diverso e surpreendente, abarcando os ufólogos, os cientistas, as testemunhas e muitos mais”, conta.

O mistério histórico de 1986 O episódio original ocorreu em 19 de maio de 1986, quando cerca de 21 objetos luminosos foram avistados nos céus de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás. A situação atingiu um patamar crítico quando a FAB enviou cinco caças supersônicos para tentar interceptar os alvos que mudavam de posição em alta velocidade e sumiam dos radares sem que as aeronaves militares conseguissem alcançá-los.

Tudo começou na torre de controle do Aeroporto de São José dos Campos, quando operadores notaram pontos luminosos de cores variáveis. O piloto Alcir Pereira confirmou visualmente o avistamento no ar. Outro nome de peso envolvido foi o engenheiro aeronáutico Ozires Silva, fundador da Embraer e então presidente da Petrobras, que pilotava um avião executivo de Brasília para São José dos Campos e relatou ter sido acompanhado pelas luzes misteriosas.

Anos mais tarde, em 2009, um relatório oficial assinado pelo brigadeiro José Pessoa Cavalcanti Albuquerque veio a público revelando que os alvos monitorados “são sólidos e refletem de certa forma inteligência”.

Investigação sem preconceitos científicos Para a realização dos episódios, a equipe evitou tomar partido, buscando equilibrar explicações da ciência e relatos populares sobre a vida extraterrestre. “A ufologia tem grande resistência por parte dos cientistas. E mesmo assim é um campo bastante popular, tanto pelos mais entusiastas, quanto pelos curiosos. E o nosso desafio era aproximar esses dois campos, incluindo argumentos e narrativas de ambos os lados”, explica o diretor.

Cavechini destaca ainda a abertura encontrada nas entrevistas: “É preciso dizer que mesmo os cientistas mais céticos narram episódios de avistamento que não conseguem explicar. Então fomos a campo ouvir, sem julgamentos”, diz.

Outros enigmas da ufologia nacional Além do episódio paulista, a obra aborda outros marcos da pesquisa ufológica no país, como a famosa Operação Prato, realizada no estado do Pará para investigar luzes e supostos ataques a ribeirinhos.

O impacto emocional nas testemunhas permaneceu intacto ao longo das décadas, conforme pontua o diretor ao relembrar os bastidores das gravações com pessoas comuns e figuras públicas. “Mesmo décadas depois de terem presenciado esses fenômenos misteriosos, as pessoas continuam se lembrando, com riqueza de detalhes, de tudo o que viveram. E isso não é exclusividade de quem está no documentário. Mesmo pessoas com quem conversamos informalmente, durante a produção, ainda guardam essas memórias. Inclusive o Lulu Santos”, conclui o diretor.

Fonte: G1 Geral

Mais recentes

PUBLICIDADE