A oficialização da postulação de Rogério Marinho (PL-RN) para a liderança do Senado, agendada para esta quarta-feira, 4, pode esbarrar em obstáculos originados na própria legenda. De acordo com o cientista político Elias Tavares, em entrevista ao programa VEJA em Foco com a apresentação de Marcela Rahal, a modalidade de votação sigilosa na disputa marcada para fevereiro de 2027 viabiliza que congressistas desrespeitem diretrizes da sigla sem exposição pública.
O impacto do sigilo na votação
Conforme a análise do especialista, o pleito pela chefia da Casa Legislativa difere de campanhas tradicionais por ocorrer por meio de tratativas internas e troca de influências por cargos.
“A eleição do Senado é uma eleição feita na calada e o voto é secreto”, afirmou o cientista político. Para ele, essa dinâmica impede a fidelização dos votos prometidos a Rogério Marinho, pois os parlamentares têm a liberdade de mudar de posicionamento na cabine de votação.
A articulação com o governo federal
Outro fator que complica as pretensões da oposição é a proximidade entre o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre, e a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar do avanço da direita nas urnas em outubro, essa aliança consolidou a força do atual dirigente na corrida pela manutenção do posto.
“Então a dificuldade hoje é muito grande, na minha avaliação, para o PL, de se colocar uma candidatura e conseguir eleger perante o Senado”, declarou o especialista.
Riscos para a distribuição de poder
Caso o partido decida manter a ofensiva pela presidência do Senado, o grupo corre o risco de ficar isolado na divisão de cargos estratégicos da Mesa Diretora, a exemplo das vice-presidências e da Secretaria-Geral.
“E a grande dúvida é: o PL vai pagar para ver e ficar de fora de uma mesa diretora tão importante no momento?”, questionou Tavares.
“Então, dentro do próprio PL pode existir diversas traições ali que não vai ser visto por ninguém”, concluiu o analista sobre os desdobramentos da disputa interna.
Fonte: veja.abril.com.br/politica