Brasileira é escolhida para diretoria-geral adjunta de ciências da Unesco

Brasileira vence seleção com mais de 100 candidatos e assume cargo inédito na Unesco

A médica e professora Denise Pires de Carvalho foi nomeada diretora-geral adjunta para Ciências da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). A conquista veio após a vitória em uma seleção internacional com mais de 100 candidatos, marcando a história ao se tornar a primeira mulher brasileira e latino-americana a assumir a função.

Etapas rigorosas e apoio governamental O caminho até a nomeação envolveu avaliações com executivos da instituição e uma sabatina final conduzida pelo diretor-geral, Khaled El-Enany. Dez pessoas participaram da primeira rodada de entrevistas, restando apenas três na disputa derradeira. A abertura da vaga ocorreu em abril, e a confirmação veio após o cancelamento de um concurso anterior.

A inscrição aconteceu porque a docente recebia boletins informativos a pedido do governo do Brasil, interessado em fortalecer a influência nacional no organismo internacional. Houve suporte formal do presidente da República, do Ministério da Educação e da pasta de Ciência e Tecnologia durante o pleito. Após a confirmação, foram necessários cerca de 20 dias de espera até o anúncio oficial. “Fiquei muito feliz e assustada”, contou.

Trajetória e representatividade regional Com formação em medicina, a nova diretora já atuou como reitora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além de ter presidido a Capes e comandado a Secretaria de Ensino Superior do MEC. Ela avalia que a vivência acadêmica no Brasil e a passagem por funções públicas foram decisivas para o sucesso no processo.

“A responsabilidade é ainda maior. Eu não represento só o Brasil, represento a nossa região, a América Latina e o Caribe”, declarou Denise Pires de Carvalho sobre o peso simbólico de sua chegada ao alto escalão da entidade.

Desafios e integração de programas científicos Na nova função, a principal missão da brasileira será coordenar a elaboração do próximo plano bienal de ciências da Unesco para o período de 2028 e 2029. O trabalho exigirá a unificação de diferentes iniciativas em uma frente transversal, englobando ciências naturais, humanas e sociais, além de projetos voltados para a água, biodiversidade e mudanças climáticas.

As diretrizes da instituição são moldadas em conjunto com os países-membros, focando em temas como crise climática, equidade de gênero, inclusão e proteção a comunidades tradicionais. “Nós estamos aqui para atender às demandas dos diferentes países, com prioridades que são trazidas por eles”, afirmou. A intenção é aplicar o conhecimento adquirido na Capes para fomentar a cooperação internacional e aproximar a comunidade científica das necessidades reais da população.

Incentivo à carreira e impacto global Ao refletir sobre sua trajetória, a pesquisadora destacou que a dedicação aos estudos abre portas inesperadas e deixou um recado sobre a busca por metas profissionais, reforçando que o esforço transforma aspirações em conquistas concretas. “Não há limites para a nossa atuação profissional. Sejamos nós mulheres ou homens, devemos perseguir os nossos sonhos profissionais sempre”, frisou.

Por fim, a nova gestora reforçou o compromisso de colaborar com os demais membros da organização na construção de um cenário global mais justo. “Trabalhando aqui, eu tenho muita chance de contribuir com todo o time da Unesco, com toda a equipe, para que a gente tenha um mundo mais equânime e pacífico“, concluiu.

Fonte: Folha Vitória

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