O diagnóstico de câncer, especialmente quando surge de forma inesperada e sem sintomas aparentes, pode ser um choque profundo. Foi o que aconteceu com Mariângela de Brito Pereira Umehara, uma professora de 40 anos que, em março de 2021, recebeu a notícia de que tinha câncer de colo do útero. A descoberta, que mudou drasticamente sua vida, ocorreu durante um exame preventivo de rotina, menos de um ano após seu último check-up e em um período em que ela não apresentava qualquer sinal da doença.
A história de Mariângela, moradora de Itanhaém, no litoral sul de São Paulo, ressalta a importância vital da vigilância ginecológica regular. Mesmo com um histórico de acompanhamento médico contínuo, o resultado alterado de um de seus exames preventivos acendeu um alerta. Após a repetição do exame e uma biópsia confirmando o diagnóstico, a professora se viu diante de uma realidade que muitos temem, mas que, em seu caso, foi interceptada em um estágio crucial.
A revelação inesperada do câncer de colo do útero
A ausência de sintomas é uma das características mais perigosas do câncer de colo do útero em suas fases iniciais. Mariângela, por exemplo, não sentia dor ou sangramento, sinais frequentemente associados à doença. O cansaço que experimentava era atribuído à sua intensa rotina profissional, uma realidade comum para muitos. Na época do diagnóstico, a professora estava casada há dois anos e nutria planos de engravidar, o que tornou a notícia ainda mais impactante.
A rapidez com que o caso foi conduzido foi um fator determinante para o prognóstico. Em apenas 15 dias após o diagnóstico, Mariângela foi submetida a uma cirurgia para a retirada do útero. Poucos dias depois, a boa notícia: o câncer havia sido detectado em estágio inicial e estava restrito ao colo do útero, o que aumentava significativamente as chances de sucesso do tratamento. Conforme a rádio-oncologista Denise Ferreira, diretora de comunicação da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), a agilidade no início do tratamento é fundamental para o desfecho positivo.
A corrida contra o tempo: tratamento e recuperação
Mesmo com a cirurgia bem-sucedida, o caminho para a remissão exigiu tratamentos complementares. Mariângela precisou passar por sessões de radioterapia e braquiterapia, procedimentos essenciais para reduzir o risco de recidiva da doença. Um mês após a cirurgia, ela iniciou essa nova e desafiadora etapa.
A ausência de serviços de radioterapia em sua cidade natal levou Mariângela a se mudar temporariamente para Santos, onde realizou 25 sessões consecutivas. O período foi marcado por intensos efeitos colaterais, que começaram a se manifestar a partir da quarta sessão. “Senti muita diarreia, fraqueza e incontinência urinária. Urinava a cada 30 minutos. Tinha dias em que não conseguia levantar da cama, de tanto cansaço”, relata a professora. Esses sintomas, embora desafiadores, são parte do processo de combate à doença e reforçam a resiliência necessária durante o tratamento.
Desafios pós-tratamento e a nova perspectiva de vida
Hoje, aos 45 anos, Mariângela celebra quatro anos e meio em remissão, com exames de acompanhamento sem alterações a cada seis meses. No entanto, a jornada contra o câncer deixou marcas duradouras. Além das necessárias mudanças alimentares, o tratamento induziu uma menopausa precoce e impactou sua vida sexual. A especialista Denise Ferreira explica que uma parcela das pacientes pode, de fato, desenvolver efeitos colaterais persistentes, que exigem acompanhamento e adaptação.
A experiência transformou profundamente a professora, alterando não apenas seu corpo, mas também sua percepção sobre o tempo e as prioridades da vida. A superação da doença a motivou a se tornar uma rede de apoio para outras mulheres que recebem o mesmo diagnóstico, compartilhando sua história como uma ferramenta de conscientização e esperança. A rádio-oncologista reitera que, após o tratamento, o acompanhamento médico contínuo é indispensável para monitorar possíveis recidivas e gerenciar os efeitos tardios.
Conscientização e a importância da prevenção contínua
A história de Mariângela é um poderoso lembrete de que a prevenção e o diagnóstico precoce são as ferramentas mais eficazes na luta contra o câncer de colo do útero. A doença, que pode ser silenciosa em suas fases iniciais, reforça a necessidade de exames preventivos regulares, como o Papanicolau, mesmo na ausência de qualquer sintoma. O Hospital Israelita Albert Einstein destaca que os sinais da doença podem ser discretos, sublinhando a importância dessas avaliações periódicas.
Mesmo com os exames normais, Mariângela confessa que cada consulta de acompanhamento ainda é acompanhada de ansiedade, um sentimento compreensível para quem enfrentou uma batalha tão árdua. Contudo, ela segue firme em suas prevenções de rotina e em seu papel de apoio a outras mulheres, inspirando-as a priorizar a saúde e a não negligenciar os cuidados preventivos. Para mais informações sobre saúde e ciência, acesse o portal Metrópoles.
Fonte: metropoles.com