Desenvolvimento de fertilizantes sustentáveis promete reduzir impacto ambiental na agricultura

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) estão à frente de uma iniciativa inovadora que visa a criação de fertilizantes orgânicos mais sustentáveis, com o objetivo de mitigar os danos ambientais causados pela agricultura. O estudo, conduzido pelo grupo de pesquisa em solo e águas subterrâneas, foca na redução das emissões de gases de efeito estufa, um problema significativo no setor agrícola, que é responsável por uma parcela considerável da liberação de óxido nitroso, um gás com potencial de aquecimento global 300 vezes superior ao do dióxido de carbono.

fertilizantes: cenário e impactos

Os novos fertilizantes são elaborados a partir de resíduos da pecuária leiteira, da agroindústria da cana-de-açúcar e da olivicultura. O professor Vitor Moreira, do Departamento de Engenharia Sanitária Ambiental da UFMG, explicou a motivação por trás do desenvolvimento desse tipo de adubo.

“Os setores agroindustriais geram efluentes líquidos e sólidos, e nossa proposta é evitar o descarte inadequado desses resíduos, que impacta negativamente o meio ambiente. Ao analisar esses materiais, percebemos que muitos possuem um alto teor de nutrientes. Assim, decidimos transformá-los em fertilizantes”, afirmou.

Moreira destacou que os fertilizantes já demonstraram resultados promissores em testes realizados com diversas culturas. “Testamos esses materiais em plantas como alface e oliveiras, além de culturas utilizadas na alimentação animal. Observamos um crescimento significativo das plantas, um aumento na umidade do solo e uma diversidade maior de microorganismos no ambiente do solo”, explicou.

Atualmente, os pesquisadores estão em busca de financiamento junto a empresas e à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais para iniciar a fase de testes em lavouras. O cronograma prevê que, após um período de avaliação, o fertilizante poderá ser produzido em escala industrial e comercializado, um processo que pode levar até 36 meses.

*Com produção de Salete Sobreira e supervisão de Roberta Lopes.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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